Os restaurantes lideram o consumo de energia por metro quadrado entre os edifícios comerciais e institucionais do Canadá, segundo dados divulgados pela Statistics Canada.
Em 2024, esses estabelecimentos registaram uma intensidade média de uso de energia de 2,88 gigajoules por metro quadrado (GJ/m²), quase três vezes a média observada no conjunto dos edifícios analisados.
Os números fazem parte da Survey of Commercial and Institutional Energy Use, divulgada em 13 de agosto.
O levantamento contabilizou 583.634 edifícios comerciais e institucionais nas províncias canadianas, que juntos ocupavam cerca de 1,1 mil milhões de metros quadrados.
No total, esses edifícios consumiram 953,8 milhões de gigajoules de energia em 2024. A intensidade média de utilização de energia ficou em 1,02 GJ/m².
Para dar uma dimensão desse consumo, a agência federal estima que o volume corresponde ao gasto energético anual de quase 11,2 milhões de famílias, utilizando como referência o consumo residencial médio registado em 2021.
Apesar de Ontario possuir a maior área de edifícios comerciais e institucionais do levantamento, foi Alberta que apresentou a maior intensidade média de utilização de energia, com 1,32 GJ/m².
Manitoba e Saskatchewan, agrupadas na pesquisa, aparecem em seguida, com 1,13 GJ/m².
O Ontario registou 1,03 GJ/m² e British Columbia, 1,01 GJ/m².
O Quebec ficou abaixo da média nacional, com 0,95 GJ/m², enquanto as províncias do Atlântico apresentaram o menor índice, de 0,72 GJ/m².
Em termos de consumo total, o Ontario liderou com 269,3 milhões de GJ, seguido por Alberta, com 220,4 milhões, e Quebec, com 207,3 milhões.
As diferenças são ainda maiores quando analisado o tipo de estabelecimento.
Além de os restaurantes apresentarem a maior intensidade energética média do país, os localizados em Alberta chegaram a 3,56 GJ/m², o maior resultado regional.
No Ontario, a média dos restaurantes foi de 3,05 GJ/m², enquanto nas províncias do Atlântico ficou em 2,12 GJ/m².
Na segunda posição entre as atividades que mais utilizam energia por metro quadrado estão as lojas de alimentos e bebidas, categoria que inclui supermercados, farmácias, lojas de conveniência e estabelecimentos de bebidas alcoólicas.
A média nacional foi de 1,78 GJ/m².
Pistas de gelo também ficaram acima da média geral, com 1,19 GJ/m², enquanto instalações de cuidados residenciais ou assistência diária registaram 1,13 GJ/m².
Na outra ponta da tabela, os locais de culto apresentaram a menor intensidade energética, com média de 0,61 GJ/m².
Escolas primárias e secundárias aparecem logo depois, com 0,63 GJ/m², seguidas por pré-escolas e creches, com 0,64 GJ/m².
Armazéns e centros de distribuição registaram 0,65 GJ/m², enquanto museus e galerias tiveram média de 0,68 GJ/m².
Ontario possuía 316,5 milhões de metros quadrados de área comercial e institucional em 2024, o maior volume entre as regiões analisadas.
Quebec aparece próximo, com 298,4 milhões de m², seguido por Alberta, com 212,5 milhões, e British Columbia, com 145,1 milhões.
Manitoba e Saskatchewan somavam 77 milhões de m², enquanto as províncias do Atlântico totalizavam 89,4 milhões.
Segundo a Statistics Canada, os dados deverão ajudar a acompanhar o desempenho de políticas e programas destinados a aumentar a eficiência energética dos edifícios canadianos.
A pesquisa foi realizada em parceria com o Office of Energy Efficiency e não inclui hospitais e instituições de ensino pós-secundário, que foram analisados separadamente.
Os territórios do Canadá também ficaram fora deste levantamento.
A agência alerta que comparações diretas entre os resultados de 2019 e 2024 devem ser feitas com cautela, uma vez que houve alterações na metodologia e na cobertura da pesquisa.
A intensidade de utilização de energia mede a quantidade de energia consumida em relação à área do edifício.
Quanto maior o número de gigajoules utilizados por metro quadrado, mais intensivo é o consumo energético do imóvel.
Sérgio Mourato
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