As principais companhias aéreas do Canadá transportaram 7,6 milhões de passageiros em junho de 2026, um aumento de apenas 0,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, num contexto marcado pelo abrandamento do crescimento das viagens aéreas.
Os dados, divulgados esta quinta-feira, 27 de agosto, pela Statistics Canada, mostram igualmente que os principais aeroportos e um conjunto selecionado de pequenos aeroportos canadianos registaram 546.020 movimentos de aeronaves, menos 3,2% do que em junho de 2025.
O número de passageiros-quilómetro aumentou 1,5%, para 21,7 mil milhões, enquanto a capacidade das transportadoras cresceu 0,9%, atingindo 25,5 mil milhões de lugares-quilómetro disponíveis.
Segundo a agência federal, foram as taxas de crescimento mais baixas desde as quedas registadas em agosto de 2025, quando um conflito laboral provocou centenas de cancelamentos.
Apesar do abrandamento, a taxa de ocupação dos aviões subiu de 84,6% em junho de 2025 para 85,2% em junho deste ano. Cada passageiro percorreu, em média, 2.863 quilómetros, mais 1,1% em termos homólogos.
As transportadoras aéreas de nível I – grupo que inclui Air Canada, Air Transat, Flair, Jazz, Porter e WestJet – realizaram 194 mil horas de voo e obtiveram 3 mil milhões de dólares em receitas operacionais, uma subida expressiva de 12,1% face ao mesmo período de 2025.
A Statistics Canada assinala que junho continuou marcado pela incerteza nas viagens associada ao conflito no Irão e pela subida dos preços do combustível para aviação.
Desde abril, algumas transportadoras responderam ao aumento dos custos com o cancelamento de rotas e a introdução de sobretaxas.
A queda global da atividade aeroportuária foi particularmente influenciada pelos movimentos locais, frequentemente associados à formação de pilotos.
Estes diminuíram 6,5%, correspondendo a menos 11.375 movimentos do que em junho do ano passado.
Os movimentos domésticos itinerantes também recuaram, diminuindo 2,1% para 328.465. Entre as maiores quedas encontram-se Pitt Meadows, na Colúmbia Britânica, com menos 2.426 movimentos, e Oshawa, no Ontário, com menos 2.203.
Nas ligações transfronteiriças entre o Canadá e os Estados Unidos, o movimento de aeronaves diminuiu ligeiramente, 0,4%. Vancouver International, Montréal/Pierre Elliott Trudeau International e Calgary International registaram algumas das maiores reduções.
Em sentido contrário, o Billy Bishop Toronto City Airport contabilizou mais 470 movimentos transfronteiriços do que em junho de 2025. Halifax registou um aumento de 205 e o John C. Munro Hamilton International Airport somou mais 168.
As ligações com outros destinos internacionais apresentaram uma evolução mais favorável.
Os movimentos aumentaram 3,4%, para 17.250, naquele que foi o 16.º mês consecutivo de crescimento homólogo. O Toronto Pearson liderou esta subida, com mais 438 movimentos.
O Campeonato do Mundo de futebol, iniciado em meados de junho e com jogos no Canadá em Toronto e Vancouver, também teve impacto na atividade aérea.
O Vancouver Harbour registou o maior crescimento homólogo dos movimentos itinerantes.
O tráfego de hidroaviões e helicópteros aumentou 27,5%, ou 1.605 movimentos, atingindo o nível mais elevado desde agosto de 2024.
Já no Toronto Pearson, os movimentos itinerantes aumentaram 2,7% em comparação com junho de 2025, enquanto o Vancouver International registou uma redução de 2,4%.
Os números da Statistics Canada mostram, assim, um cenário misto para a aviação canadiana: o número de passageiros continua a crescer e as receitas das grandes transportadoras aumentaram significativamente, mas o ritmo de expansão das viagens está a perder força e a atividade global nos aeroportos diminuiu.
Sérgio Mourato
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