À medida que o Canadá entra no período de maior movimento das férias de verão, um novo estudo da Intrepid Travelrevela que os canadianos estão cada vez mais interessados em evitar destinos sobrelotados, privilegiando experiências autênticas, contacto com as comunidades locais e formas de viajar de maneira mais responsável.
O Meaningful Travel Index, baseado num inquérito realizado pela Wakefield Research junto de dois mil canadianos, concluiu que 93% dos inquiridos estão dispostos a alterar os seus hábitos de viagem para ajudar a reduzir o excesso de turismo, enquanto 84% consideram importante que as suas viagens tenham um impacto positivo nas comunidades visitadas.
“O excesso de turismo já não é apenas um fenómeno de que os viajantes têm consciência; está a influenciar a forma como escolhem viajar”, afirmou o presidente da Intrepid Travel Canada, Christian Wolters.
Segundo o responsável, os canadianos procuram cada vez mais formas práticas de transformar a intenção de viajar de forma responsável em ações concretas.
O estudo indica que 71% dos canadianos afirmam que a sobrelotação em destinos populares já prejudicou a sua experiência de viagem, sendo que 23% dizem que isso acontece sempre ou com muita frequência.
Em sentido inverso, 81% manifestam interesse em visitar destinos menos divulgados nas redes sociais e 64% preferem descobrir locais menos conhecidos em vez das atrações turísticas mais famosas.
Entre as mudanças de comportamento mais referidas estão viajar fora da época alta (53%), evitar destinos excessivamente turísticos (42%) e apoiar empresas e negócios locais (38%).
O estudo mostra ainda que, apesar do crescimento da utilização da inteligência artificial no planeamento de viagens, o contacto humano continua a ser altamente valorizado.
85% dos canadianos afirmam confiar mais nos guias turísticos locais do que na inteligência artificial para conhecer verdadeiramente um destino.
Além disso, 81% consideram que uma visita guiada por um especialista local proporciona uma ligação muito mais profunda com a cultura e a história de um local do que explorar de forma autónoma.
“Os canadianos querem estabelecer uma ligação mais profunda com os lugares que visitam, com as pessoas que lá vivem e com as experiências que tornam cada destino único”, afirmou Christian Wolters.
O responsável acrescentou que a tecnologia pode facilitar o planeamento das viagens, mas não substitui o conhecimento, a perspetiva cultural e a ligação humana proporcionados pelos guias locais.
A gastronomia continua igualmente a desempenhar um papel central na experiência turística, com 94% dos inquiridos a considerarem que provar a comida local é uma das melhores formas de compreender a cultura de um destino.
Mais de metade dos canadianos (56%) demonstra também preocupação com o impacto que o turismo pode ter nas comunidades e no ambiente, refletindo uma crescente procura por viagens que conciliem autenticidade, responsabilidade social e sustentabilidade.
O estudo foi encomendado pela Intrepid Travel e realizado pela Wakefield Research, através de um inquérito online a 2.000 canadianos com 18 ou mais anos, integrado numa investigação internacional que envolveu 8.000 adultos no Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. A recolha de dados decorreu entre 29 de abril e 13 de maio de 2026.
Sérgio Mourato
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