O St. Joseph’s Healthcare Hamilton recebeu duas doações no valor total de $2 milhões para desenvolver o Centre for Health Innovation and Research in Psychedelics (CHIRP), criado para estudar o potencial de substâncias psicadélicas no tratamento de problemas como dor crónica, dependências e perturbações de saúde mental.
“Está na altura de deixarmos para trás o estigma de décadas associado aos psicadélicos e olharmos para aquilo que a ciência está a mostrar, sobretudo em áreas onde os tratamentos tradicionais não têm resultado para muitos doentes”, afirmou Anthony Adili, diretor fundador do CHIRP e Chief Innovation Officer do hospital.
As duas contribuições, de $1 milhão cada, foram feitas pela empresária e filantropa de Hamilton Teresa Cascioli e pelos administradores da The Juravinski Foundation.
O financiamento será utilizado para criar espaços dedicados ao tratamento no hospital e na comunidade e para contratar investigadores destinados aos ensaios clínicos associados ao centro.
Criado em novembro de 2025, o CHIRP estuda se psicadélicos de qualidade médica, administrados em doses controladas, podem contribuir para o tratamento de condições que continuam a apresentar dificuldades terapêuticas, incluindo dor crónica, depressão resistente ao tratamento, perturbação de stress pós-traumático, dependências e doenças neurodegenerativas.
O centro investiga também possíveis aplicações na saúde mental das mulheres relacionadas com alterações hormonais durante a perimenopausa e menopausa, assim como no apoio a doentes com cancro em fase terminal que enfrentam sofrimento psicológico associado ao diagnóstico.
Atualmente, investigadores ligados ao CHIRP estão envolvidos em três ensaios clínicos, incluindo um estudo aleatorizado e em dupla ocultação liderado por Adili para avaliar se a psilocibina pode reduzir a dor musculoesquelética crónica que não respondeu aos tratamentos convencionais.
O estudo inclui pessoas submetidas a tratamento prolongado com opioides e procura avaliar tanto a redução da dor como uma eventual diminuição da utilização destes medicamentos.
Outra investigação, liderada por Michael Van Ameringen e James MacKillop, analisa a utilização de psilocibina em conjunto com psicoterapia no tratamento de pessoas com perturbação moderada a grave associada ao consumo de canábis.
Os dois investigadores lideram ainda um projeto financiado em $2,4 milhões pelos Canadian Institutes of Health Research (CIHR), integrado no Canadian Cannabis and Brain Health Consortium.
O trabalho inclui um ensaio controlado e aleatorizado sobre psilocibina e perturbação relacionada com o consumo de canábis.
Teresa Cascioli afirmou que decidiu apoiar o centro por considerar necessário procurar novas opções para pessoas que vivem com dor crónica. “Milhões de canadianos vivem com dor crónica e isso afeta todos os aspetos da vida quotidiana, desde o trabalho e as relações até ao sono, conforto e qualidade de vida”, afirmou.
O presidente do conselho de administradores da The Juravinski Foundation, Julian Dobranowski, disse que o investimento procura dar continuidade ao legado de Charles e Margaret Juravinski no financiamento de investigação médica inovadora.
O hospital salienta que a investigação contemporânea procura avaliar estas substâncias através de ensaios clínicos e critérios de segurança.
“Sabemos que potencial e promessa não são suficientes. É por isso que estamos a produzir evidência rigorosa para orientar médicos, doentes e decisores políticos”, afirmou Adili.
O CHIRP funciona em parceria com a McMaster University e reúne especialistas de áreas como psiquiatria, neurologia, cirurgia, anestesia, psicologia, neurociências, imagiologia, ética e investigação clínica.
Segundo o St. Joseph’s Healthcare Hamilton, os $2 milhões agora anunciados deverão permitir aumentar a capacidade do centro à medida que avança com ensaios clínicos aprovados pela Health Canada, procurando determinar a segurança e eficácia de potenciais terapias assistidas por psicadélicos para condições que permanecem difíceis de tratar.
Sérgio Mourato
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