O bem-estar dos trabalhadores canadianos continua a deteriorar-se, com metade dos funcionários inquiridos a apresentar algum nível de burnout e quase três quartos a afirmarem ter trabalhado abaixo da sua capacidade devido a problemas de saúde ou stress.
As conclusões constam do relatório anual State of Workplace Well-Being, elaborado pela Dialogue Health Technologies em parceria com a Leger.
O estudo, baseado num inquérito a 1.002 trabalhadores e 200 responsáveis de recursos humanos em todo o Canadá, revela uma deterioração em vários indicadores relativamente a 2025.
A percentagem de trabalhadores que afirma ter visto a saúde mental piorar subiu de 30% para 35%, enquanto os que registaram uma deterioração da saúde física aumentaram de 21% para 30%.
A qualidade do sono apresenta uma das maiores variações: 38% dos inquiridos afirmam dormir pior, contra 26% no ano passado.
Também a situação financeira pesa sobre os trabalhadores, com 35% a indicarem uma deterioração da saúde financeira, acima dos 29% registados em 2025.
Os resultados refletem-se igualmente no desempenho profissional. Apenas 21% dos trabalhadores dizem sentir-se com energia e motivação na maioria dos dias, enquanto um em cada dois enfrenta algum nível de burnout.
Ao mesmo tempo, 74% afirmam ter trabalhado com capacidade reduzida em algum momento do último ano devido a problemas relacionados com saúde ou stress.
“Os trabalhadores enfrentam pressões em várias frentes e isso está a refletir-se na forma como funcionam no trabalho”, afirmou o diretor médico da Dialogue, Dr. Robin.
Segundo o responsável, muitos problemas desenvolvem-se durante meses antes de resultarem numa ausência laboral ou num pedido relacionado com incapacidade, defendendo por isso um acesso mais precoce e continuado aos cuidados de saúde.
O relatório identifica também dificuldades na utilização dos benefícios disponibilizados pelas empresas.
Entre os trabalhadores que dispõem de benefícios de saúde através do emprego, 67% utilizaram-nos no último ano, mas apenas 20% se declararam muito satisfeitos. Tempos de espera, custos e dificuldades em perceber como aceder aos serviços são apontados como alguns dos obstáculos.
Do lado das empresas, o estudo conclui que existe também uma lacuna na avaliação dos resultados.
Apenas 31% dos responsáveis de recursos humanos afirmam receber regularmente dos fornecedores informações consideradas úteis e acionáveis, dificultando a avaliação do retorno do investimento.
O relatório acrescenta que programas dirigidos a áreas como stress financeiro, controlo do peso e responsabilidades de prestação de cuidados estão entre os menos disponibilizados, apesar do impacto destas pressões no quotidiano dos trabalhadores.
Luc Dumont, vice-presidente sénior da Leger, considera “significativa” a deterioração anual registada em diferentes dimensões do bem-estar e destaca a ligação entre pressões mentais, físicas e financeiras.
A Dialogue defende, a partir dos resultados, uma abordagem mais integrada aos benefícios de saúde.
As conclusões devem, contudo, ser interpretadas no contexto de um estudo desenvolvido pela empresa, fornecedora de serviços virtuais de saúde e bem-estar, em parceria com a Leger.
Sérgio Mourato
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