O número de canadianos que escolhem Portugal como destino de férias continua a crescer e o mercado já se afirma como um dos mais importantes para o turismo nacional. Em 2025, Portugal recebeu cerca de 729 mil hóspedes provenientes do Canadá, que geraram mais de 1,8 milhões de dormidas, colocando o mercado canadiano entre os dez principais emissores de turistas para o país.
À frente da promoção de Portugal no Canadá está Inês Almeida Garrett, diretora do Turismo de Portugal para este mercado desde janeiro de 2022. Licenciada em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada e com uma pós-graduação em Empreendedorismo pelo INDEG-ISCTE Business School, iniciou a carreira na AICEP, em Pequim, integrou a direção do Pavilhão de Portugal na Expo Xangai 2010 e desempenhou funções de direção para os mercados da China, Alemanha, Áustria e Suíça antes de assumir a representação do Turismo de Portugal no Canadá.
Nesta entrevista à Senso Magazine, Inês Almeida Garrett analisa o crescimento do mercado canadiano, explica as novas tendências dos viajantes, destaca o impacto das ligações aéreas diretas e da gastronomia portuguesa e traça a estratégia para consolidar Portugal como um destino sustentável e de excelência ao longo de todo o ano.
Portugal consolidou-se como um destino seguro, acolhedor e diversificado.
Senso Magazine: Os números mostram que o mercado canadiano continua a crescer. O que explica este interesse cada vez maior dos canadianos por Portugal?
Inês Almeida Garrett: O crescimento do mercado canadiano resulta de um conjunto de fatores. Portugal consolidou-se como um destino seguro, acolhedor e diversificado. A nossa notoriedade enquanto destino turístico tem vindo a aumentar graças ao património, à autenticidade das experiências, à gastronomia e aos vinhos. Destaco igualmente o reforço das ligações aéreas diretas entre ambos os países, tornando Portugal mais acessível e contribuindo para um crescimento sustentado da procura.
SM: Que perfil de turista canadiano está hoje a visitar Portugal? Continua a ser maioritariamente a diáspora portuguesa ou há cada vez mais visitantes sem ligações ao país?
IAG: Assistimos a um crescimento muito significativo de visitantes sem qualquer ligação familiar a Portugal. São viajantes que procuram experiências culturais, gastronomia, natureza, enoturismo, caminhadas, surf, golfe, turismo literário e muito mais. É um mercado cada vez mais diversificado e interessado em descobrir Portugal.
SM: Quais são as principais tendências que o Turismo de Portugal está a identificar entre os viajantes canadianos em 2026?
IAG Os viajantes canadianos procuram cada vez mais experiências autênticas, personalizadas e sustentáveis. Verifica-se também um aumento das estadias mais prolongadas, motivadas pela distância da viagem, bem como uma maior procura por destinos menos conhecidos. Outro aspeto relevante é o crescimento das viagens fora da época alta, contribuindo para uma distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos. Destaco ainda o fenómeno dos snowbirds, que passam longas temporadas em Portugal para escapar ao rigor do inverno canadiano.

SM: Os canadianos procuram sobretudo sol e praia ou existe uma procura crescente por turismo gastronómico, vínico, cultural e de natureza?
IAG: O sol e o clima continuam a ser fatores importantes, mas já não são a única motivação. Observamos um interesse crescente pela gastronomia portuguesa, pelos vinhos, pelo património histórico, pelas aldeias, pelos parques naturais, pelos percursos pedestres e pelas experiências ligadas às tradições locais. Portugal distingue-se precisamente pela diversidade da sua oferta.
SM: Tem-se falado muito em viagens durante o inverno. Portugal está a afirmar-se como um destino para todo o ano junto do mercado canadiano?
IAG: Sim. Um dos nossos objetivos estratégicos é afirmar Portugal como um destino de 365 dias. O clima ameno durante o inverno, aliado à riqueza cultural, gastronómica e natural, torna o país particularmente atrativo para os canadianos que procuram escapar aos meses mais frios.

SM: Lisboa, Porto e Algarve continuam a dominar as preferências. Como promover outras regiões, como o Alentejo, Centro de Portugal, Açores e Madeira?
IAG: A estratégia passa por promover itinerários que incentivem os visitantes a explorar diferentes regiões do país.
O Alentejo destaca-se pela autenticidade, gastronomia e enoturismo; o Centro pela riqueza patrimonial e natureza; os Açores pelo turismo de natureza e sustentabilidade; e a Madeira pelo clima e pelas atividades ao ar livre.
SM: A sustentabilidade tornou-se um fator importante na escolha de destinos. De que forma Portugal está a responder às preocupações dos viajantes canadianos?
IAG: A sustentabilidade é uma prioridade estratégica para o Turismo de Portugal. Temos investido na valorização dos recursos naturais e culturais, na promoção de práticas responsáveis, na certificação das empresas turísticas e na preservação das comunidades locais.
SM: As ligações aéreas diretas entre Canadá e Portugal tiveram um papel decisivo neste crescimento?
IAG: Sem dúvida. Atualmente existem voos diretos entre Toronto, Montreal e Halifax e os aeroportos de Faro, Lisboa, Porto e Ponta Delgada. Continuamos a trabalhar com as companhias aéreas para consolidar as rotas existentes e avaliar novas oportunidades.
A comunidade portuguesa no Canadá continua a ser uma das maiores embaixadoras
de Portugal.
SM: Portugal continua a oferecer uma boa relação qualidade-preço?
IAG: Gostava sobretudo de destacar a qualidade da nossa hotelaria, da restauração e dos serviços turísticos, bem como a nossa capacidade de acolher todos com um sorriso, proporcionando uma experiência de grande valor para quem nos visita.
SM: Que impacto tem a gastronomia portuguesa na decisão dos canadianos?
IAG: A gastronomia é um dos nossos maiores ativos. Os canadianos valorizam experiências ligadas à cozinha local, aos vinhos, aos produtos regionais e às tradições culinárias, reforçando a imagem de Portugal como um destino autêntico.
SM: Quais são os principais objetivos para os próximos anos?
IAG: Queremos consolidar este crescimento de forma sustentável, aumentar a permanência média dos visitantes, promover uma distribuição mais equilibrada das viagens ao longo do ano e incentivar a descoberta de todo o território nacional.
SM: Como trabalham com o setor turístico canadiano?
IAG: Desenvolvemos campanhas de promoção, ações de formação, viagens de familiarização, workshops e participamos em feiras internacionais, sempre em estreita parceria com operadores turísticos, agentes de viagens e companhias aéreas.
SM: Como responder à procura por experiências autênticas?
IAG: Portugal oferece uma enorme diversidade de experiências, desde aldeias históricas e quintas vinícolas até percursos de natureza e contacto direto com as comunidades locais, permitindo aos visitantes descobrir um país autêntico.
SM: Que papel desempenha a comunidade luso-canadiana?
IAG: A comunidade portuguesa no Canadá continua a ser uma das maiores embaixadoras de Portugal. As recomendações feitas a amigos e colegas continuam a ter um impacto muito relevante na notoriedade do destino.
SM: Portugal está a beneficiar da crescente procura dos canadianos por destinos europeus?
IAG: Sim. Os canadianos procuram segurança, autenticidade, património, boa gastronomia e experiências diferenciadas. Portugal reúne todas essas características e está bem posicionado para consolidar este crescimento de forma sustentável.
Sérgio Mourato
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