Os líderes do G7 anunciaram esta sexta-feira, 2 de outubro, um conjunto de medidas coordenadas para tentar estabilizar os mercados energéticos, incluindo a libertação de 100 milhões de barris através da Agência Internacional de Energia (AIE), perante a subida dos preços do petróleo e as preocupações com a segurança do abastecimento.
A decisão foi tomada durante uma reunião virtual dedicada à segurança energética.
Numa declaração conjunta divulgada em Ottawa, os líderes afirmaram que a volatilidade dos mercados petrolíferos representa uma ameaça à estabilidade económica e às famílias e empresas.
A libertação coordenada dos 100 milhões de barris deverá começar imediatamente e decorrer durante quatro meses, tendo em conta compromissos assumidos anteriormente e já cumpridos.
O G7 prevê ainda uma libertação significativa de diesel nos primeiros 20 dias, envolvendo membros do grupo e países parceiros.
Os líderes pediram à AIE que acompanhe a implementação das medidas e indicaram que deverão voltar a reunir-se no âmbito da agência nos próximos dias para avaliar a possibilidade de novas libertações de diesel, caso sejam consideradas necessárias.
O G7 pretende igualmente coordenar os calendários de manutenção das refinarias dos países membros, de forma a evitar interrupções simultâneas da capacidade de produção.
O grupo defende também um aumento temporário das taxas de utilização das refinarias sempre que seja possível.
A declaração incentiva ainda o diálogo com países que possuem uma capacidade significativa de refinação para aumentar a produção mundial de produtos refinados, com particular atenção ao diesel, segmento onde o G7 identifica pressões no mercado.
Os líderes reafirmaram o compromisso de evitar restrições às exportações de energia e produtos energéticos entre os países do G7 e apelaram aos restantes produtores para que não imponham proibições que possam agravar as tensões nos mercados.
A AIE foi encarregada de avaliar o impacto das medidas sobre a segurança energética e a estabilidade dos mercados.
O G7 pediu um relatório de acompanhamento no prazo de 20 dias, incluindo recomendações sobre futuras respostas e a reposição das reservas utilizadas.
Na mesma declaração, os líderes condenaram os ataques do Irão contra países vizinhos e acusaram Teerão de perturbar o comércio internacional, a segurança energética e a economia mundial.
O grupo pediu o restabelecimento imediato dos direitos e princípios de navegação no Estreito de Ormuz e manifestou apoio aos esforços dos Estados Unidos destinados a garantir a circulação comercial naquela rota.
Em relação à Rússia, o G7 afirmou que manterá as sanções existentes, enquanto trabalha com a AIE e parceiros internacionais para procurar limitar repercussões adicionais nos mercados de combustíveis, gás e outras matérias-primas.
Os líderes disseram que os preços da energia continuam a ser uma prioridade e admitiram ajustar as medidas em função da evolução dos mercados, apresentando o acordo como uma resposta imediata aos atuais problemas de abastecimento e volatilidade.
Sérgio Mourato
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