O Canadá e a União Europeia anunciaram o lançamento oficial da OceanEye International Alliance, uma iniciativa internacional destinada a reforçar o Global Ocean Observing System (GOOS), que conseguiu mobilizar compromissos avaliados em mais de $339 milhões durante um encontro realizado esta quarta-feira em Nova Iorque.
O lançamento foi conduzido pelo primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.
O encontro reuniu chefes de Estado e de Governo, ministros e representantes de várias organizações internacionais.
Dos compromissos anunciados, o Canadá vai disponibilizar $82 milhões ao longo de cinco anos para aumentar a capacidade nacional de observação dos oceanos.
A União Europeia comprometeu €92 milhões para atividades nesta área.
O valor global de mais de $339 milhões, equivalente a €211 milhões segundo os organizadores, inclui contribuições financeiras e em espécie, como navios de investigação, sensores, drones e instalações de processamento de dados.
Os recursos deverão ser utilizados para manter as atuais plataformas de observação, colmatar lacunas na recolha de dados e reforçar o secretariado do GOOS, os centros de coordenação do sistema e o centro de tratamento e comunicação de dados OceanOPS.
A OceanEye International Alliance conta atualmente com 31 membros, incluindo o Canadá, a União Europeia e 29 países. Portugal integra a iniciativa, juntamente com países como Brasil, Angola, Cabo Verde, França, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Coreia do Sul, Chile e Noruega.
O Global Ocean Observing System, copatrocinado pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO e pela Organização Meteorológica Mundial, recebe cerca de 120 mil observações por dia provenientes de 8.000 plataformas, operadas por 64 países e 17 redes globais de observação.
Os dados recolhidos são utilizados, entre outras áreas, na previsão meteorológica e climática, segurança marítima, proteção das comunidades costeiras, acompanhamento da biodiversidade marinha e desenvolvimento de atividades económicas ligadas aos oceanos.
Os responsáveis pela iniciativa alertam, no entanto, que o sistema continua dependente de um número limitado de grandes financiadores.
“O oceano que partilhamos não pode ser compreendido, ou protegido, por uma única nação”, afirmou Carney.
“Cada observação partilhada multiplica o impacto.” Von der Leyen destacou, por sua vez, que a observação oceânica permite recolher os dados necessários para compreender as mudanças que estão a ocorrer nos oceanos e apoiar a sua proteção.
O lançamento inicia uma campanha internacional de mobilização prevista para 2026-2028 e anos seguintes.
Novos compromissos financeiros e contribuições em espécie poderão ser anunciados em encontros internacionais, incluindo a COP31 e a 12.ª Our Ocean Conference, que se realizará em Halifax, Nova Escócia, em maio de 2027.
Sérgio Mourato
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