A Unifor manifestou apoio às novas tarifas de retaliação anunciadas pelo Governo do Canadá contra produtos dos Estados Unidos, mas considera que Otava precisa de avançar com medidas adicionais para proteger os trabalhadores e a indústria canadiana perante o agravamento da guerra comercial.
“Há muito que a Unifor defende que o Canadá deve responder às tarifas de Trump destinadas a atingir a base industrial do Canadá e a forçar concessões”, afirmou Lana Payne, presidente nacional da Unifor.
Para a dirigente sindical, as contramedidas representam uma “boa primeira resposta”, mas são insuficientes perante os riscos para o emprego.
O Governo federal anunciou tarifas de retaliação, numa base de “dólar por dólar”, sobre 27,6 mil milhões de dólares em produtos norte-americanos.
A Unifor defende que esta resposta deve ser acompanhada pela aceleração das compras públicas, pela implementação de estratégias industriais nacionais e por um maior compromisso das empresas com a aquisição de produtos fabricados no Canadá.
Além das tarifas, Ottawa anunciou alterações temporárias ao Employment Insurance (EI), o sistema de seguro de emprego canadiano.
Entre as medidas está o prolongamento, até outubro de 2027, da suspensão do período de espera de uma semana para receber prestações e da possibilidade de acesso ao EI sem que os trabalhadores tenham primeiro de esgotar determinadas indemnizações recebidas no momento da saída do emprego.
O Governo vai também prolongar o Work-Sharing Program até março de 2027 e disponibilizar 20 semanas adicionais de prestações de EI para trabalhadores com carreiras profissionais prolongadas, medida que ficará em vigor até junho de 2027.
Outras alterações deverão facilitar o acesso às prestações por pessoas que abandonem voluntariamente o emprego e ajudar trabalhadores desempregados ou subempregados a encontrar oportunidades em grandes projetos.
Apesar destas mudanças, a Unifor considera que permanecem lacunas importantes.
O sindicato reclama uma redução do número de horas necessárias para aceder ao EI, sobretudo para trabalhadores a tempo parcial, sazonais e em situações laborais precárias. Defende igualmente prestações mais elevadas, a criação de um benefício mínimo e um prolongamento mais abrangente da duração dos apoios.
“Os trabalhadores estão a ser chamados a absorver o choque económico de uma guerra comercial que não começaram e que não podem controlar”, afirmou Daniel Cloutier, diretor da Unifor no Quebec.
Segundo o dirigente, as alterações ao EI poderão proporcionar algum alívio, mas representam soluções temporárias para um problema de maior dimensão.
A Unifor, que representa cerca de 320 mil trabalhadores em diferentes setores da economia canadiana, pede ao Governo federal que esteja preparado para reforçar a resposta caso o conflito comercial com os Estados Unidos continue a intensificar-se.
O sindicato sustenta que a proteção dos postos de trabalho, dos rendimentos e da capacidade industrial do Canadá deverá permanecer no centro da estratégia económica do país.
Sérgio Mourato
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