A LNG Canada tomou a decisão final de investimento para avançar com a segunda fase do seu projeto de gás natural liquefeito (LNG) em Kitimat, na Colúmbia Britânica, desbloqueando um investimento privado de $33 mil milhões, anunciou o Governo federal.
O primeiro-ministro Mark Carney classificou o investimento como uma demonstração da capacidade do Canadá para desenvolver grandes projetos de infraestruturas e energia. “Os investimentos históricos na LNG Canada são a prova de que o Canadá voltou a construir em grande e com ambição”, afirmou.
Segundo o Governo federal, a expansão deverá transformar a LNG Canada na segunda maior instalação do género no mundo e duplicar a capacidade do terminal para 28 milhões de toneladas de LNG por ano, reforçando as exportações canadianas para mercados internacionais, particularmente na região do Indo-Pacífico.
O projeto está localizado em Kitimat, no território tradicional da Haisla Nation, e deverá criar mais de 4.000 empregos diretos durante a fase de construção. Até agora, foram atribuídos quase $5 mil milhões em contratos e aquisições a empresas das First Nations e da região, de acordo com os dados divulgados.
A expansão inclui também um acordo com a MNT Investments LP, que representa as nações Gitga’at, Gitxaała, Haisla, Kitselas e Kitsumkalum. O acordo concede às cinco First Nations a opção de investir até $1 mil milhão para adquirir uma participação maioritária no novo tanque de armazenamento de LNG da segunda fase, com capacidade para 225 mil metros cúbicos.
A decisão da LNG Canada levou também a TC Energy a tomar uma decisão final de investimento para a segunda fase do Coastal GasLink, gasoduto que transporta gás natural de Dawson Creek até às instalações de Kitimat.
O projeto prevê duplicar a capacidade existente do gasoduto através da instalação de novas estações de compressão e da modernização de infraestruturas ao longo do atual percurso de 670 quilómetros. Segundo o Governo federal, a construção deverá começar em 2027 e criar mais de 2.000 empregos.
A LNG Canada começou a exportar gás natural liquefeito em junho de 2025, no âmbito da primeira fase do projeto. O Governo federal refere que foi a primeira vez que LNG produzido no Canadá foi exportado diretamente para clientes internacionais.
A empresa é uma joint venture formada pela Shell Canada, com uma participação de 40%, PETRONAS, com 25%, PetroChina e Mitsubishi Corporation, ambas com 15%, e KOGAS, com 5%.
O Governo federal afirma ainda que as emissões de gases com efeito de estufa das instalações de Kitimat deverão ser inferiores às de qualquer outra instalação operacional de dimensão semelhante. O Executivo também argumenta que as exportações canadianas de LNG poderão contribuir para reduzir emissões nos mercados onde substituam a produção de eletricidade a partir do carvão.
A segunda fase da LNG Canada tinha sido encaminhada, em setembro de 2025, para o Major Projects Office, estrutura federal destinada a facilitar o desenvolvimento de projetos considerados de interesse nacional.
O ministro responsável pelo comércio Canadá-EUA e pelos Assuntos Intergovernamentais, Dominic LeBlanc, afirmou que a decisão permitirá duplicar a capacidade de exportação de LNG, aumentar as relações comerciais com a região do Indo-Pacífico e criar novas oportunidades de participação económica para comunidades indígenas.
Ao longo da construção da primeira fase, o Coastal GasLink criou mais de 25.000 empregos, segundo os dados apresentados pelo Governo federal. A empresa atribuiu também mais de $1,8 mil milhões em contratos a empresas indígenas e locais.
A LNG Canada Phase 2 integra a estratégia do Governo federal para acelerar grandes projetos de energia, mineração, portos e corredores comerciais, procurando aumentar a capacidade de exportação do Canadá e diversificar os mercados internacionais para os recursos canadianos.
Sérgio Mourato
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