A produção de energia primária no Canadá aumentou 5,9% em junho de 2026, em termos homólogos, com crescimento nos seis setores acompanhados pelo Statistics Canada, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo organismo federal.
A produção de petróleo bruto e produtos equivalentes atingiu 25,6 milhões de metros cúbicos, mais 3,1% do que em junho de 2025.
Foi o 13.º mês consecutivo de crescimento homólogo, apoiado por aumentos de 4,7% na extração fora das areias betuminosas e de 1,1% nas areias petrolíferas.
A produção de petróleo bruto sintético aumentou 10,1%, para 6,3 milhões de metros cúbicos, enquanto a de betume bruto recuou 3,7%, para 10,2 milhões. As exportações totais de petróleo cresceram 6,4%, para 20,7 milhões de metros cúbicos.
Os Estados Unidos continuaram a ser o principal destino, com as exportações canadianas para aquele mercado a aumentarem 4% face ao mesmo mês do ano anterior.
As vendas para outros países, por sua vez, dispararam 26,9%, para 2,6 milhões de metros cúbicos, sendo a maioria escoada através do porto de Burnaby, na Colúmbia Britânica.
O Statistics Canada enquadra o crescimento num período de procura mundial sustentada por petróleo devido ao conflito em curso no Irão.
Também o gás natural registou uma expansão significativa.
A produção comercializável aumentou 8%, para 700,8 milhões de gigajoules, impulsionada sobretudo pela Colúmbia Britânica, com uma subida de 12,7%, e por Alberta, com um crescimento de 5,3%.
As exportações canadianas de gás natural avançaram 13,5%, para 308,5 milhões de gigajoules, a maior subida homóloga desde março de 2025.
O crescimento ocorreu apesar de os envios para os Estados Unidos terem diminuído 7,9%, para 250,2 milhões de gigajoules.
Em sentido contrário, as exportações para outros países alcançaram 58,3 milhões de gigajoules, o nível mais elevado desde que o Canadá começou a exportar gás natural liquefeito (GNL) para o mercado mundial, em julho de 2025.
Segundo o Statistics Canada, a maior parte do GNL exportado em junho teve como destino mercados asiáticos.
O primeiro terminal canadiano de exportação de GNL iniciou os envios a partir de Kitimat, na Colúmbia Britânica.
A produção de eletricidade também aumentou, com a geração total a crescer 6,2%, para 48,9 milhões de megawatts-hora (MWh).
A produção hidroelétrica avançou 14,4%, para 28 milhões de MWh, compensando quedas na geração nuclear, eólica, solar e através de combustíveis.
A recuperação hidroelétrica foi particularmente expressiva na Colúmbia Britânica, onde a produção aumentou 42,7%, e em Manitoba, com uma subida de 62,5%.
No Quebeque, o crescimento foi de 5,7%.
O Statistics Canada considera que os resultados de junho sugerem alguma melhoria dos níveis dos reservatórios depois de vários anos marcados por condições secas em grande parte do país.
A maior disponibilidade de eletricidade refletiu-se no comércio com os Estados Unidos.
As importações canadianas caíram 19,3%, para 1,2 milhões de MWh, enquanto as exportações dispararam 80,4%, para cinco milhões de MWh, o valor mais elevado desde janeiro de 2023.
Apesar da recuperação, o volume exportado permaneceu 16% abaixo da média registada nos meses de junho entre 2016 e 2022.
Já a produção de produtos petrolíferos refinados aumentou 4,5%, para 10,1 milhões de metros cúbicos.
A produção de combustível destilado cresceu 8,2%, a gasolina 2,3% e o combustível para aviação 10,3%.
O consumo interno destes produtos, contudo, diminuiu 4%, para 8,5 milhões de metros cúbicos.
Os dados de junho mostram, assim, um crescimento generalizado da produção energética canadiana e uma maior diversificação de alguns mercados externos, sobretudo no gás natural liquefeito, ao mesmo tempo que os Estados Unidos permanecem um destino central para as exportações energéticas do Canadá.
Sérgio Mourato
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