A desigualdade de rendimentos entre as famílias canadianas registou poucas alterações entre 1982 e 2022 quando são consideradas as transferências governamentais, o sistema fiscal progressivo e as diferenças na dimensão das famílias, segundo um novo estudo publicado pelo Fraser Institute.
“Durante quatro décadas, este país registou pouca ou nenhuma alteração na desigualdade de rendimentos das famílias canadianas”, afirmou Jason Clemens, vice-presidente executivo do instituto.
O estudo, intitulado Definition of Income Matters for Measuring Income Inequality, analisa como diferentes definições de rendimento podem produzir resultados distintos na avaliação da desigualdade e na sua evolução ao longo do tempo.
Segundo os autores, os 10% das famílias com rendimentos mais elevados concentravam 32,1% dos rendimentos provenientes do emprego em 2022, o último ano abrangido pelos dados analisados.
Depois de consideradas as transferências governamentais, os impostos progressivos e a normalização da dimensão das famílias, essa proporção diminuía para 23,2%.
A diferença também é visível quando se compara a evolução ao longo de quatro décadas.
Considerando apenas os rendimentos do emprego, a parcela recebida pelos 10% das famílias com maiores rendimentos aumentou 17,3% entre 1982 e 2022.
Com os ajustamentos utilizados pelo estudo, o aumento é reduzido para 3,6%.
No caso dos 20% das famílias com maiores rendimentos, o Fraser Institute afirma que a desigualdade, segundo a medida ajustada utilizada na análise, diminuiu 0,3% durante o mesmo período.
O estudo indica ainda que as diferentes medidas de desigualdade apresentaram uma tendência de subida entre 1982 e 2010, mas recuaram entre 2010 e 2022.
Segundo o instituto, os níveis observados em 2022 eram, na maioria das medidas analisadas, comparáveis aos registados quatro décadas antes.
Clemens defendeu que análises baseadas apenas no rendimento do emprego podem não refletir o impacto das políticas redistributivas.
“Com demasiada frequência, as discussões sobre desigualdade de rendimentos baseiam-se em medidas restritas que ignoram políticas existentes, como as transferências governamentais e o sistema progressivo de imposto sobre o rendimento”, afirmou.
As conclusões refletem a metodologia adotada pelo Fraser Institute e não significam que todas as formas de medir a desigualdade tenham permanecido inalteradas.
O próprio estudo mostra que a avaliação varia significativamente consoante se utilize apenas o rendimento do emprego ou se incluam impostos, transferências e ajustamentos à composição familiar.
O Fraser Institute é uma organização canadiana independente de investigação em políticas públicas, com escritórios em várias cidades do país, incluindo Vancouver, Calgary, Toronto, Montreal e Halifax.
Sérgio Mourato
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