O Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma pausa de 72 horas nos ataques contra Kiev, numa medida que coincide com a visita de enviados norte-americanos à Rússia e à Ucrânia para tentar relançar as negociações de paz. A suspensão dos ataques começa à meia-noite e surge num momento de intensificação dos esforços diplomáticos para encontrar uma solução para a guerra.
A decisão acontece durante a visita dos enviados do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, que chegaram a Moscovo e deverão deslocar-se posteriormente à Ucrânia. A missão norte-americana pretende avaliar as possibilidades de retomar as negociações e aproximar as posições de Moscovo e Kiev.
A suspensão temporária dos ataques surge depois de o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também ter manifestado disponibilidade para interromper os ataques ucranianos durante a visita da delegação norte-americana. O objetivo é criar condições mais favoráveis para os contactos diplomáticos.
No entanto, o anúncio acontece num contexto de grande tensão. Apesar da pausa anunciada, a Rússia e a Ucrânia continuam a realizar ataques com drones e mísseis. Nas últimas horas, foram registados ataques russos contra infraestruturas na Ucrânia, enquanto Kiev continua a lançar operações contra alvos militares e infraestruturas russas.
Esforços diplomáticos ganham novo impulso
A visita dos representantes norte-americanos ocorre numa altura em que Washington tenta recuperar o diálogo entre os dois países. Trump tem defendido um acordo que permita terminar a guerra, enquanto Moscovo e Kiev continuam separados por diferenças profundas sobre território, segurança e o futuro da Ucrânia.
Putin afirmou recentemente que existe uma possibilidade de alcançar um acordo de paz e que países como os Estados Unidos e a China estão disponíveis para apoiar uma solução. O Presidente russo defendeu, contudo, que a questão deverá ser resolvida principalmente entre a Rússia e a Ucrânia.
A posição russa continua, porém, a incluir exigências territoriais que Kiev rejeita. A Ucrânia mantém que não aceitará um acordo que implique a cedência dos territórios ocupados pela Rússia.
Cessar-fogo limitado
A pausa anunciada por Putin não representa, por enquanto, um cessar-fogo geral em toda a Ucrânia. A medida está relacionada com os ataques a Kiev e coincide com a deslocação dos enviados norte-americanos.
A situação no terreno permanece instável e os ataques continuam a atingir diferentes regiões dos dois países. Por isso, a trégua de três dias é vista sobretudo como uma oportunidade para facilitar os contactos diplomáticos, e não como o início de um acordo de paz definitivo.
Depois de mais de quatro anos de guerra, qualquer redução temporária da violência poderá representar uma oportunidade para retomar negociações. No entanto, as profundas divergências entre Moscovo e Kiev continuam a tornar difícil alcançar um acordo duradouro.
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