Os maiores tesouros de Portugal nem sempre se encontram nas suas cidades ou nos seus pontos turísticos mais famosos. Muitos escondem-se ao longo de trilhos costeiros, caminhos de montanha e rotas centenárias que revelam um lado mais lento e autêntico do país. É esta a filosofia da Live Love Hike – Walking Tours Portugal, um projeto especializado em caminhadas guiadas e autoguiadas que combinam trilhos cuidadosamente selecionados com guias locais, alojamentos encantadores, gastronomia regional e experiências culturais autênticas por todo o país.
Do Vale do Douro e Alentejo ao Algarve, Minho e Açores, os seus itinerários são concebidos para caminhantes de todos os níveis de experiência, permitindo aos viajantes descobrir Portugal passo a passo. A Senso falou com Maria Inês Sardinha Santos, da equipa da Live Love Hike – Walking Tours Portugal, sobre a razão de umas férias a pé oferecerem muito mais do que simplesmente visitar pontos turísticos, mas também criar ligações significativas com a natureza, a cultura e o povo.
Como começou a Live Love Hike e o que vos inspirou a criar experiências de caminhada por Portugal?
Começou pelo mais simples de tudo: o amor à caminhada e a vontade de partilhar os percursos fabulosos que temos em Portugal, mas cruzando-os com a qualidade dos nossos hotéis, restaurantes e de experiências verdadeiramente autênticas. Somos uma equipa de guias locais e entusiastas do caminhar, viajantes de longa data, apaixonados pela proximidade e por aquela sensação intemporal de descobrir uma curva nova no trilho, uma montanha, ou um miradouro escondido, passo a passo. A dada altura percebemos uma coisa: muito do que Portugal tem de mais bonito não está nas estradas principais, mas sim nos trilhos, nos caminhos secundários, nos sítios a que só se chega a pé. Quisemos abrir esses caminhos a quem nos visita, sempre com o mesmo objetivo teimoso: fazer com que se apaixonem por este país tanto quanto nós.
O que distingue uma viagem ou caminhada organizada pela Live Love Hike de uma experiência turística mais tradicional?
A diferença está no ritmo e na profundidade. Em vez de correr de ponto turístico em ponto turístico, propomos o contrário aos nossos clientes: descobrir o país ao seu ritmo, pelos seus trilhos, com tempo para reparar nos pormenores. Cuidamos de tudo o resto para que eles só tenham de se preocupar em caminhar e desfrutar: escolhemos a dedo os hotéis de charme, os restaurantes e as experiências que completam a viagem, das adegas e quintas aos museus e castelos. Há duas formas de viver estas regiões, que apelam a perfis diferentes. Nas viagens guiadas, caminham acompanhados por guias locais que conhecem a história, a cultura e, sobretudo, as pessoas de cada região. A bagagem segue de hotel em hotel sem que lhe toquem; há sempre veículos de apoio por perto, para quem quiser mais apoio. Nas self-guided, caminham ao seu ritmo e em total liberdade, com os trilhos no telemóvel, um itinerário detalhado e sempre com a nossa equipa a um telefonema de distância. Tudo se adapta à pessoa, do caminhante ocasional ao mais experiente, e ao fim do dia há sempre um bom SPA e uma boa mesa à espera. É turismo vivido de dentro, não visto de fora.
Portugal tem uma enorme diversidade de paisagens. Quais são as regiões ou percursos que mais surpreendem quem participa nos vossos programas?
O que mais surpreende é como cabe tanto mundo num país tão pequeno. O Douro deixa toda a gente sem palavras: a primeira região demarcada do mundo, com as vinhas desenhadas em socalcos sobre o rio e a recompensa de um miradouro no fim de cada subida. Mas o Douro é mais do que vinho: descemos ao Vale do Côa para ver gravuras rupestres com mais de vinte mil anos, dormimos em aldeias históricas com castelo medieval e perdemo-nos em caminhos quase desertos entre olivais, laranjais e praias fluviais. Depois há o Alentejo, com os seus sobreiros e oliveiras, planícies imensas, cidades fortificadas no alto das colinas e uma paz que já quase não se encontra. Há ainda a costa sudoeste: com falésias sobre praias escondidas e aldeias piscatórias onde o peixe chega do mar diretamente para a mesa. Cada trilho termina num pequeno tesouro, que raramente é o tesouro que se estava à espera de encontrar.
Para quem procura experimentar uma caminhada organizada pela primeira vez, que programa ou trilho recomendaria e o que podemos esperar dessa experiência?
Para uma primeira vez, um dos nossos preferidos é a Costa Sudoeste, pela Rota Vicentina, uma das faixas de litoral mais bem preservadas da Europa. A opção de fazer a rota guiada torna-a ideal para quem nunca fez nada assim: caminha-se num pequeno grupo, com um guia local ao lado, e não têm de pensar em mais nada. Caminha-se sempre com o Atlântico ao lado e o que costuma surpreender é o que aparece pelo caminho: praias a que não se chega de carro, só a pé, onde se desce por um trilho entre as rochas e se encontra um areal inteiro sem uma única pegada. Há também um momento que fica para sempre: caminhar até ao Cabo de São Vicente, o ponto mais a sudoeste da Europa, e olhar do promontório de Sagres, o mesmo de onde o Infante D. Henrique lançou o mundo ao mar no século XV. O terreno é suave e as distâncias moderadas, por isso não é preciso ser atleta: caminha-se ao próprio ritmo e há sempre apoio por perto para quem quiser abrandar. O que podem esperar é uma experiência descontraída, com dias ao ar livre equilibrados com bons momentos à mesa, peixe acabado de chegar, bons vinhos e o descanso merecido num hotel de charme. Muitos hóspedes chegam receosos, por nunca terem feito nada assim, mas partem já a planear a próxima caminhada.
Existe algum percurso ou destino menos conhecido que considerem um verdadeiro tesouro escondido e que mereça ser descoberto?
Sem hesitar: o Algarve a pé, que quase ninguém conhece. Toda a gente já ouviu falar do Algarve, mas poucos sabem que existe uma outra costa sul, feita de trilhos de falésia que se percorrem em sete dias, desde a Praia Verde até Salema, longe das estradas e dos grandes areais. É aí que aparecem as praias escondidas a que só se chega a pé, as enseadas onde o mar se encontra com a terra em socalcos de rocha dourada e as aldeias de casas caiadas onde se termina o dia à mesa, com peixe fresco ao pôr do sol. É um programa self-guided, e esse é metade do encanto: cada dia é vosso, param onde quiserem, mergulham onde a tentação for maior e ficam mais tempo na vila piscatória onde a conversa começar. É exatamente o Portugal fora do circuito que gostamos de mostrar: aquele onde a natureza e o ritmo das comunidades ainda são verdadeiros.
Têm recebido cada vez mais visitantes internacionais? Que aspetos da paisagem, cultura ou gastronomia portuguesa costumam conquistar mais os viajantes?
O que conquista quase toda a gente é uma combinação de três coisas. A diversidade da paisagem, primeiro: num só programa passa-se de vinhas a montanhas, ou de planície a falésias sobre o mar. Depois, a gastronomia e os vinhos, porque Portugal é um paraíso para quem gosta de comer bem, do restaurante com estrela Michelin à tasca de aldeia, do peixe e marisco acabados de chegar aos queijos e enchidos do interior. Mas o que fica mesmo no coração é o calor das pessoas. Portugal é acolhedor por natureza e há sempre lugar para mais um. É essa autenticidade, a sensação de serem recebidos como amigos e não como turistas, que os visitantes levam consigo quando partem.
Que conselhos dariam a quem pretende explorar Portugal a pé, seja numa escapadinha de fim de semana ou numa viagem mais longa?
Portugal presta-se a isto o ano inteiro. O clima atlântico ameno torna o outono e a primavera ideais, e o verão é luminoso e convidativo. Levem calçado confortável e roupa em camadas e, se forem à costa, não se esqueçam do fato de banho, porque a tentação de mergulhar é grande. Para uma escapadinha, o segredo é escolher uma só região e vivê-la com calma, em vez de tentar ver tudo. Para uma viagem mais longa, vale a pena combinar contrastes, como o interior vinhateiro e a costa selvagem. Acima de tudo, deixem espaço para o imprevisto: parem numa aldeia, conversem com quem encontram, provem o prato da casa. Se puderem, façam-no com guias locais, que são a forma de aceder às histórias e aos caminhos que não vêm nos mapas.
O que podemos ainda aproveitar este ano e como saber mais sobre os programas disponíveis?
Para o verão: o Minho, berço da nossa nacionalidade, com trilhos junto aos seus rios límpidos e sempre com alguma sombra protectora. Para quem prefere a costa, mais selvagem e autêntica, a Costa Sudoeste, pela Rota Vicentina, o tal tesouro preservado, entre aldeias de pescadores e o ponto mais a sudoeste da Europa. Para outubro guardamos o mais especial de todos: o Caminho Português a Santiago de Compostela, os últimos 100 km a partir de Vigo até à Catedral, com direito ao certificado Compostela no fim, uma das grandes caminhadas da Europa, feita passo a passo por antigas vias romanas e aldeias galegas paradas no tempo. A primavera e o início do outono são das melhores alturas para caminhar em Portugal, por isso é o momento perfeito para começar a planear. Podem conhecer todos os programas e falar connosco através do nosso website walkingtoursportugal.com.
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