Dolly Parton, uma das figuras mais influentes e reconhecidas da música country norte-americana, morreu esta terça-feira aos 80 anos, segundo anunciou a família.
Cantora, compositora, atriz e empresária, Parton construiu uma carreira de quase seis décadas e tornou-se conhecida mundialmente por temas como “Jolene”, “Coat of Many Colors” e “I Will Always Love You”.
Nascida a 19 de janeiro de 1946, no Tennessee, Dolly Rebecca Parton cresceu numa família humilde com 12 filhos.
O interesse pela música surgiu ainda durante a infância. Terá escrito a primeira canção, “Little Tiny Tasseltop”, por volta dos seis anos, inspirada numa boneca feita de uma espiga de milho.
Aos 11 anos já cantava numa estação de rádio local e, aos 13, atuava no Grand Ole Opry, em Nashville.
Depois de terminar o ensino secundário, mudou-se para Nashville para seguir profissionalmente a música.
A colaboração com o cantor Porter Wagoner tornou-se decisiva para a sua carreira e resultou em vários duetos de sucesso.
Quando decidiu seguir definitivamente uma carreira a solo, Parton escreveu “I Will Always Love You” como despedida de Wagoner. Décadas mais tarde, a interpretação de Whitney Houston transformaria a canção num fenómeno mundial.
Ao longo da carreira, Dolly Parton vendeu mais de 100 milhões de discos e escreveu cerca de três mil canções, embora tenha gravado apenas uma parte delas.
Vinte e cinco dos seus temas chegaram ao primeiro lugar da tabela country da Billboard. Conquistou 11 prémios Grammy, incluindo um prémio de carreira, e foi distinguida por algumas das principais instituições da indústria musical norte-americana.
A artista também deixou uma marca significativa no cinema e na televisão. Estreou-se no grande ecrã em 1980 com “9 to 5”, ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin.
A canção que escreveu para o filme valeu-lhe uma nomeação para os Óscares. Participou ainda em produções como “Steel Magnolias”, “The Best Little Whorehouse in Texas”, “Rhinestone” e “Straight Talk”.
Para além da música e da representação, Parton construiu um importante percurso empresarial e filantrópico. Criou o parque temático Dollywood, no Tennessee, e desenvolveu programas de promoção da literacia infantil.
Durante a pandemia de COVID-19, doou um milhão de dólares norte-americanos para investigação na Universidade Vanderbilt, financiamento que contribuiu para os trabalhos relacionados com o desenvolvimento da vacina da Moderna.
A capacidade de manter uma ligação às suas origens, aliada à personalidade irreverente, ao visual extravagante e à decisão de evitar alinhamentos político-partidários, ajudou Parton a conquistar públicos muito diferentes.
A artista transformou a sua imagem – marcada pelo cabelo louro volumoso, roupas brilhantes e sentido de humor – numa das mais reconhecíveis da cultura popular americana.
Apesar dos prémios, do sucesso comercial e da projeção internacional, Dolly Parton afirmava que desejava ser recordada sobretudo pelas canções que escreveu.
“As canções são o meu legado”, escreveu em “Dolly Parton, Songteller”. Com a sua morte, a música country perde uma das suas figuras mais emblemáticas e uma compositora cuja obra atravessou géneros, fronteiras e gerações.
Sérgio Mourato
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