Os ministros federais, provinciais e territoriais responsáveis pela cultura e património no Canadá concluíram, na quinta-feira, 27 de agosto, uma reunião de dois dias em Winnipeg, durante a qual definiram as prioridades de um novo quadro estratégico de cinco anos para o setor.
“Desde as histórias que contamos aos lugares e tradições que preservamos, a nossa cultura reflete a diversidade e a história do nosso país, une-nos e protege a nossa soberania”, afirmou Marc Miller, ministro da Identidade e Cultura Canadiana e responsável pelas Línguas Oficiais.
O novo quadro estratégico estabelece três prioridades: desenvolver uma economia criativa resiliente, reforçar a preservação e vitalidade do património e da cultura do Canadá e promover uma maior participação da população na cultura e no património.
Durante o encontro, o Governo federal apresentou as mais recentes iniciativas destinadas a proteger e reforçar os setores culturais, incluindo o processo de modernização dos apoios ao setor audiovisual e a possibilidade de colaboração com os governos provinciais e territoriais.
Os ministros discutiram igualmente formas de apoiar as infraestruturas culturais e modelos inovadores capazes de aumentar o investimento no setor.
Entre os temas abordados esteve o impacto da inteligência artificial nos trabalhadores das indústrias culturais e a promoção de uma utilização responsável desta tecnologia.
A reunião incluiu ainda uma apresentação sobre o programa Looking Forward, em Manitoba, criado para responder aos desafios enfrentados pelas artes e pela cultura, e uma discussão sobre o investimento de impacto social como instrumento para reforçar a sustentabilidade financeira das organizações culturais.
De acordo com os dados apresentados, o setor cultural gerou um Produto Interno Bruto de 69,1 mil milhões de dólares em 2025 e representava pouco mais de 692 mil empregos em todo o Canadá.
Entre 2019 e 2025, o PIB associado à cultura aumentou 25,7%, enquanto o número de empregos no setor cresceu 5,6%.
Os dados relativos ao primeiro trimestre de 2026 apontam para um crescimento ligeiro, mas contínuo, do PIB cultural, acompanhado por uma pequena redução do emprego face ao trimestre anterior.
Os responsáveis governamentais analisaram também os riscos das alterações climáticas para o património arqueológico e paleontológico e receberam uma apresentação sobre a política de Manitoba relativa a locais de sepultamento.
Os ministros encarregaram ainda os responsáveis técnicos de fazer um levantamento da legislação, políticas e estruturas existentes para apoiar a repatriação de antepassados e bens indígenas, procurando identificar novas possibilidades de cooperação entre governos.
Foram também partilhadas informações sobre iniciativas legislativas provinciais e territoriais relacionadas com as condições socioeconómicas dos artistas, conservação do património, soberania cultural, promoção e descoberta de conteúdos culturais em língua francesa e reconhecimento do património das diferentes comunidades culturais.
“Os nossos debates destacaram a importância da colaboração no apoio aos setores das artes, cultura e património do Canadá”, afirmou Nellie Kennedy, ministra do Desporto, Cultura, Património e Turismo de Manitoba e coanfitriã do encontro.
O Quebec, devido ao período eleitoral, não tomou posição sobre as matérias discutidas durante a reunião.
O próximo encontro dos ministros federais, provinciais e territoriais responsáveis pela cultura e património está marcado para 17 a 19 de maio de 2027, em Iqaluit, no território de Nunavut.
Sérgio Mourato
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