O Brazil Film Fest Toronto regressa ao TIFF Lightbox, entre 9 e 11 de outubro, para uma 18.ª edição que pretende reforçar o intercâmbio entre as indústrias cinematográficas do Brasil e do Canadá e levar o cinema brasileiro a novos públicos.
“Representa uma conquista incrível. Estamos muito felizes e realizados com mais esta edição”, afirmou Andrea Giusti, diretora executiva do Brazil Film Fest Toronto, em entrevista à Senso Magazine, destacando a longevidade do evento na comunidade brasileira da cidade.
A responsável explicou que a atual direção, formada por Andrea Giusti e outros três parceiros, assumiu o festival no ano passado e tem procurado desenvolver uma atividade mais contínua ao longo do ano, através de iniciativas e parcerias com organizações ligadas ao cinema e à cultura.
“O cinema brasileiro tem chamado muita atenção internacionalmente”, salientou Andrea Giusti, acrescentando que o festival funciona cada vez mais como uma plataforma de comunicação entre a comunidade brasileira, distribuidores canadianos, realizadores e outros profissionais da indústria cinematográfica.
Uma das principais novidades da edição de 2026 é a inclusão, pela primeira vez, de curtas-metragens canadianas com ligação à comunidade brasileira, seja através da temática das produções ou da participação de profissionais brasileiros nas equipas.
“Isso também fomenta um intercâmbio profissional e dos mercados entre o Brasil e o Canadá”, explicou Andrea Giusti, defendendo que estas ligações podem abrir oportunidades para coproduções, financiamento e distribuição internacional, além de aproximarem o público canadiano da cultura brasileira.

A programação foi construída para apresentar diferentes géneros e realidades do Brasil, incluindo documentários, dramas, comédias, thrillers, produções familiares e filmes centrados em questões sociais e culturais. “Fazemos uma curadoria sempre bem eclética, pensando em diversos géneros e em temas relevantes que mostrem também a resiliência brasileira”, afirmou a diretora executiva.
Entre as produções referidas por Andrea Giusti está “O Barulho da Noite”, que retrata uma realidade social no sertão nordestino, numa programação que, segundo a responsável, procura mostrar a diversidade de um país marcado por diferenças regionais, culturais e sociais.
O festival mantém o TIFF Lightbox como casa pelo 18.º ano consecutivo, uma relação que Andrea Giusti considera particularmente importante devido ao perfil do público daquele espaço, interessado em cinema independente, produções internacionais e novas histórias e realizadores.
“O público do TIFF é exatamente o público do nosso festival”, considerou Andrea Giusti, sublinhando ainda a localização, a infraestrutura e as condições tecnológicas oferecidas pelo espaço no centro de Toronto.
A organização pretende igualmente ultrapassar as fronteiras da comunidade brasileira e chegar ao público multicultural de Toronto, incluindo outras comunidades de língua portuguesa.
Andrea Giusti, que revelou ter ascendência portuguesa pelo lado materno, destacou a própria diversidade cultural do Brasil como uma característica refletida na seleção cinematográfica.

Apesar da crescente projeção internacional das produções brasileiras e do investimento das plataformas de streaming, a responsável identifica como um dos principais desafios convencer o público a regressar às salas de cinema, sobretudo quando estão em causa produções independentes menos conhecidas.
“Eu diria que esse é o maior desafio sempre: levar o público para a sala de cinema”, afirmou Andrea Giusti, explicando que a organização tem estabelecido parcerias ao longo do ano com outros festivais e instituições culturais para aumentar a visibilidade das produções.
A abertura da edição deste ano contará ainda com uma homenagem a uma realizadora pernambucana com seis décadas de trajetória no cinema brasileiro, enquanto cada sessão do festival será antecedida pela exibição de uma curta-metragem.
Para Andrea Giusti, a experiência pretende ir além da projeção dos filmes e despertar maior interesse pelo cinema e pelos profissionais brasileiros.
“Gostaria que passassem a ter mais interesse pelo cinema brasileiro e pelos nossos talentos”, concluiu a diretora executiva do Brazil Film Fest Toronto.
Sérgio Mourato
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