A 12.ª edição da Volta da Luso Canadian Charitable Society (LCCS) angariou 308.390,09 dólares e juntou mais de 700 participantes, no dia 26 de julho, em Mississauga e Hamilton, para apoiar adultos com deficiência intelectual e/ou do desenvolvimento, mantendo-se aberta a campanha de donativos.
“Não atingimos o nosso objetivo, infelizmente, mas acredito que a comunidade ainda pode participar e vai continuar a fazê-lo depois de hoje, para tentarmos chegar aos 450 mil dólares”, disse à Lusa o tesoureiro da instituição, Filipe Ferreira.
No final do evento, a organização contabilizava 46 equipas, 693 participantes e 1.062 donativos, num total de 307.915,09 dólares canadianos. A recolha de fundos prossegue através dos canais da LCCS.
Idealizada por Filipe Ferreira, Pedro Nascimento e Luís Fortunato, a Volta voltou a juntar caminhantes, corredores e ciclistas em percursos realizados nas duas cidades, incluindo uma volta de bicicleta de 80 quilómetros e caminhadas de oito quilómetros.
Filipe Ferreira, que participou no percurso de 80 quilómetros, considerou os fundos “super importantes” para assegurar o funcionamento da instituição e apoiar a construção de uma nova unidade residencial em Hamilton.
“Estes fundos são utilizados no dia a dia dos participantes e também estamos a construir um prédio novo em Hamilton. Necessitamos deste dinheiro para completar o projeto”, explicou.
O tesoureiro estimou o investimento em cerca de 23 milhões de dólares canadianos e reconheceu as dificuldades provocadas pelo atual contexto económico, embora se tenha mostrado confiante na resposta dos doadores.
“A nossa comunidade tem sido espetacular. Estamos a passar uma fase crítica financeiramente e muita gente está a ter dificuldades, mas, mesmo assim, todos ajudam no que podem”, afirmou.
Filipe Ferreira apelou ainda à continuação dos donativos.
“A Volta foi hoje, mas podem continuar a fazer donativos através do nosso ‘website’. Aceitamos donativos em qualquer altura e apelamos à comunidade portuguesa para que nos ajude”, acrescentou.
A diretora executiva da LCCS, Heather Grand, classificou a edição de 2026 como “um sucesso” e destacou a participação de para-atletas, reforçando o caráter inclusivo da iniciativa.
“Tivemos um excelente apoio da comunidade, dos doadores e dos patrocinadores. Este ano contámos também com para-atletas, que mostraram as suas capacidades e demonstraram o que significa ser um atleta com deficiência”, declarou.
Segundo Heather Grand, a Volta vai além da angariação de fundos.
“É um evento de angariação de fundos, mas é igualmente uma celebração da comunidade. É uma ocasião para celebrarmos as pessoas que apoiamos e as suas capacidades”, afirmou.
A responsável salientou que muitas famílias enfrentam desafios crescentes à medida que os pais e cuidadores envelhecem.
“Muitos dos nossos pais estão a ficar mais velhos e preocupam-se com quem irá cuidar dos filhos no futuro”, disse.
Heather Grand acrescentou que a organização continua a ser contactada por outras comunidades interessadas na expansão dos seus programas e referiu que existem mais de 14 mil pessoas com deficiência à espera de uma resposta habitacional no Ontário.
O veterano das Forças Armadas Canadianas e atleta paralímpico Mike Trauner, que participou pela segunda vez na Volta, defendeu que todos podem contribuir para a comunidade.
“A mensagem é que todos devem sair de casa e contribuir de alguma forma para a comunidade. Não é necessária uma doação de um milhão de dólares. Pode ser tão simples como aparecer e mostrar apoio”, afirmou.
Trauner considerou ainda que a LCCS constitui uma referência na inclusão de pessoas com deficiência.
“A Luso é um exemplo daquilo que as pessoas com deficiência podem alcançar e devolve muito à comunidade. É importante unirmo-nos e fazermos isto em conjunto”, acrescentou.
A presidente da Câmara Municipal de Mississauga, Carolyn Parrish, destacou o impacto da instituição no apoio às famílias.
“A Luso cuida das pessoas e dá algum descanso às famílias que têm uma pessoa com deficiência a seu cargo. É uma instituição extraordinária”, afirmou.
Carolyn Parrish elogiou igualmente o dinamismo da comunidade portuguesa e classificou o Centro Cultural Português de Mississauga como “um lugar maravilhoso”.
A ministra das Mulheres e Igualdade de Género e secretária de Estado das Pequenas Empresas e Turismo do Canadá, Rechie Valdez, deputada federal por Mississauga—Streetsville, agradeceu aos organizadores, ao Centro Cultural Português de Mississauga, aos patrocinadores e aos participantes.
“É muito importante que a comunidade se una para apoiar pessoas com deficiência física ou do desenvolvimento, garantindo que tenham oportunidades iguais e recebam o apoio de que necessitam”, afirmou.
O deputado federal por Mississauga-Lakeshore Charles Sousa, considerou que o trabalho desenvolvido pela LCCS beneficia toda a sociedade.
“A comunidade portuguesa está na linha da frente. Tem feito este trabalho ao longo dos anos, não apenas para a comunidade portuguesa, mas para toda a comunidade”, afirmou.
Segundo Charles Sousa, muitas famílias beneficiam diretamente dos investimentos realizados pela instituição.
“Devemos reconhecer a comunidade pelo bom trabalho que faz todos os anos para ajudar as famílias que mais necessitam”, acrescentou.
Questionado sobre o apoio público, o deputado recordou que os diferentes níveis de governo têm contribuído para o crescimento da instituição.
“O Governo Federal também contribuiu para o projeto em Hamilton. É dinheiro bem investido na comunidade em geral e o meu trabalho é continuar a facilitar esse apoio”, declarou.
Também o deputado federal por Mississauga East-Cooksville, Peter Fonseca, destacou a dimensão solidária da iniciativa.
“Estamos aqui para angariar fundos para as pessoas que mais precisam na nossa comunidade. Todos os passos dados hoje representam mais apoio para a Luso Charities”, disse.
Fonseca sublinhou que o trabalho da instituição se prolonga durante todo o ano, apoiando pessoas e famílias em Mississauga, Toronto e Hamilton.
A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, participou pela terceira vez na iniciativa, integrando a caminhada de oito quilómetros.
“É uma caminhada solidária e humanitária por uma causa nobre, que é apoiar uma instituição fundada no seio da nossa comunidade e que acompanha pessoas com deficiência ao longo da vida”, afirmou.
A diplomata agradeceu aos patrocinadores, voluntários e organizadores e apelou à participação da comunidade.
“Quem pode contribuir financeiramente deve fazê-lo. Quem não pode pode oferecer trabalho voluntário e apoiar a Luso de outras formas”, acrescentou.
Entre os participantes, Liliana Paciência, que participou pela primeira vez na Volta, destacou o ambiente vivido durante a iniciativa.
“Foi uma boa experiência. É uma oportunidade para caminhar, conviver com a comunidade, fazer algum exercício e ajudar uma boa causa”, afirmou.
A participante explicou que decidiu juntar-se ao evento depois de ter sido convidada por uma amiga.
“Quando percebi que era um evento solidário, decidi fazer um donativo e participar. Vou tentar voltar no próximo ano”, acrescentou.
Também Cláudio Abreu, que participou pela segunda vez na caminhada de oito quilómetros, salientou a importância da iniciativa.
“É importante mantermo-nos ativos e colaborar com as organizações da comunidade. Esta é uma grande organização e é uma honra participar”, afirmou.
O participante considerou que o trabalho desenvolvido pela LCCS beneficia pessoas que necessitam de apoio diário.
“Isto tem um grande valor porque ajuda a comunidade e as pessoas que precisam destes serviços. Acho que para o ano voltaremos a participar”, disse.
A edição deste ano contou ainda com representantes dos governos federal, provincial e municipal, dirigentes comunitários, patrocinadores, voluntários e famílias apoiadas pela organização.
A Luso Canadian Charitable Society mantém aberta a campanha de angariação de fundos da Volta 2026, procurando atingir a meta de 450 mil dólares canadianos para financiar os seus programas e a construção da nova unidade residencial em Hamilton.
Sérgio Mourato
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