Há quem acompanhe a Seleção Nacional nas bancadas, quem nunca perca um jogo pela televisão e quem viaje milhares de quilómetros para apoiar Portugal.
Rick Inácio escolheu uma forma diferente de viver essa paixão: preservar a história do futebol português através de uma coleção construída ao longo de vários anos, que reúne milhares de peças relacionadas com a Seleção Nacional e alguns dos maiores nomes do futebol português.
“Começou em 2010, quando o Eusébio veio a Toronto. Estive com ele, tirei uma fotografia e, a partir daí, comecei a colecionar pequenas coisas, como cromos, cartas e fotografias”, contou o luso-canadiano, em entrevista.
“Depois, em 2016, com a conquista do Campeonato da Europa, tudo cresceu. Passei a procurar bilhetes, jornais e qualquer objeto ligado à história da Seleção e dos seus jogadores.”
Natural da região de Toronto, Rick Inácio dedica grande parte do seu tempo livre à procura de objetos que retratem momentos marcantes do futebol português.
A coleção inclui jornais, revistas, bilhetes, cromos, cartões, fotografias, programas oficiais e outras peças de memorabilia, com especial incidência na Seleção Nacional e em Cristiano Ronaldo.
A primeira recordação que guarda continua a ocupar um lugar especial no seu arquivo. “Em 1997 queria muito um jornal relacionado com a Seleção. Naquela altura não havia internet nem compras ‘online’. Um dia o meu avô trouxe-me esse jornal de Portugal e ainda hoje o tenho. Foi aí que tudo começou.”
Desde então, a coleção cresceu de forma constante. “Hoje já são muitos milhares de peças. Tenho jornais, bilhetes, cartas, memorabilia, praticamente tudo o que esteja relacionado com Portugal e com a história da Seleção”, afirmou.
Grande parte dos objetos chega através de uma rede de contactos construída ao longo dos anos.
“Tenho muitos amigos em Portugal que sabem aquilo de que gosto. Encontram peças, enviam-me fotografias e perguntam se tenho interesse. Recebo regularmente objetos vindos de Portugal.”
Outros artigos são adquiridos em leilões ou através de colecionadores particulares.
“Quando vou a Portugal encontro amigos que também colecionam. Algumas vezes compro coleções completas. Também procuro muito em leilões e na internet.”
Entre as milhares de peças, há uma que considera particularmente especial.

“Tenho o bilhete da estreia de Cristiano Ronaldo pela Seleção Nacional. Está num estado de conservação muito elevado e diria que é uma das peças mais raras da coleção.”
Cristiano Ronaldo ocupa naturalmente um lugar de destaque, mas Rick considera que o legado da Seleção começou muito antes.
“O Eusébio colocou Portugal no mapa em 1966. Depois vieram jogadores como o Nuno Gomes e o Ricardo Quaresma, que também marcaram gerações. O Cristiano ajudou a transformar Portugal numa seleção que luta regularmente pelos grandes títulos.”
Ao longo dos anos teve oportunidade de conhecer algumas figuras ligadas ao futebol português.
“Conheci a mãe do Cristiano Ronaldo quando esteve em Toronto e também estive com o Nuno Gomes e o Ricardo Quaresma. Ofereci-lhes bilhetes das respetivas estreias, porque acho que essas recordações pertencem-lhes tanto quanto aos adeptos.”
A procura por novas peças continua praticamente todos os dias.
“Na internet estamos sempre a competir com outros colecionadores. Quando aparece uma peça rara, normalmente há várias pessoas interessadas. Se for algo que procuro há muito tempo, faço tudo para a conseguir.”
Uma das pesquisas mais longas terminou recentemente.
“Durante cerca de dez anos procurei o bilhete do torneio disputado no SkyDome, em Toronto, em 1995, quando Portugal conquistou um troféu. Há poucos meses consegui finalmente encontrá-lo e, para minha surpresa, pertencia a alguém que vive muito perto de mim. Esse bilhete significa muito porque eu também estive nesse jogo.”
Questionado sobre o período que mais contribuiu para aumentar a coleção, não hesitou.
“Sem dúvida o Euro 2016. Tenho jornais, revistas, bilhetes e muitas outras recordações dessa conquista. É um momento que marcou todos os portugueses.”

Rick revelou ainda que a coleção já despertou interesse em Portugal.
“Falei com pessoas ligadas ao Museu Cosme Damião, ao Sporting e também ao Museu CR7. Todos conhecem a coleção e demonstraram interesse em vê-la.”
Apesar disso, continua a apresentar parte do espólio sobretudo em eventos dedicados ao colecionismo.
“Quando mostro a coleção conheço outros colecionadores. Muitas vezes essas conversas acabam por ajudar a encontrar novas peças.”
Se tivesse de escolher apenas três objetos para representar a história do futebol português, a decisão seria difícil, mas possível. “Escolhia o bilhete do torneio do SkyDome de 1995, porque representa um momento importante vivido em Toronto; depois a memorabilia do Euro 2016; e, por fim, o bilhete da estreia ou do último jogo do Cristiano Ronaldo pelo Sporting.”
Para Rick Inácio, o objetivo nunca foi apenas acumular objetos.
“Faço isto pelas memórias. Gosto de olhar para uma fotografia, um bilhete ou uma camisola e recordar exatamente onde estava naquele momento. Espero que outras pessoas também preservem estas recordações, porque fazem parte da história do futebol português.”
Sérgio Mourato
»Os conteúdos publicados no website da Senso Magazine são traduzidos automaticamente, recorrendo aos serviços de tradução da Google.




Publique você mesmo!