Uma réplica das Portas da Cidade de Ponta Delgada foi inaugurada este sábado no Azores Park, em Brampton, como símbolo permanente da presença portuguesa e açoriana no Canadá e da ligação entre a diáspora e as novas gerações.
O monumento, instalado junto à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, foi apresentado numa cerimónia que reuniu representantes políticos, diplomáticos, religiosos, sindicais e comunitários do Canadá, de Portugal e dos Açores, culminando um projeto desenvolvido ao longo de cerca de sete anos.
“Este movimento de entrar e de sair transforma estas portas numa ponte, em que a saída é também a representação de uma chegada”, afirmou o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, durante a cerimónia.
O governante classificou a inauguração como “um dia histórico para Brampton, para o Canadá, para os Açores e para Portugal” e destacou a transformação de um dos símbolos mais reconhecidos de Ponta Delgada numa representação da presença açoriana no estrangeiro.
“São portas que têm um vai-e-vem, são portas de entrada e de saída, tanto em Ponta Delgada, nos Açores, como aqui em Brampton, como também em Fall River, nos Estados Unidos da América”, afirmou.

Bolieiro destacou o papel do presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, na concretização da réplica e considerou que o significado do monumento ultrapassa a dimensão municipal.
“É certo que estamos a fazer deste símbolo um símbolo português, um símbolo açoriano, um símbolo de identidade cultural portuguesa e açoriana”, declarou.
O presidente do Governo Regional salientou ainda o envolvimento do município da Ribeira Grande, atualmente presidido por Jaime Vieira, e do anterior presidente, Alexandre Gaudêncio, além da participação de instituições e patrocinadores canadianos.
Para Bolieiro, as novas Portas da Cidade representam também a relação mantida pelas sucessivas gerações da diáspora com o arquipélago. “Que orgulho é para nós podermos sentir que a nossa comunidade partiu, mas não nos deixou”, afirmou.
O governante aproveitou a ocasião para convidar emigrantes e descendentes a visitarem, regressarem ou investirem nos Açores. “São sempre bem-vindos para um regresso aos Açores”, disse, associando a mensagem ao simbolismo das próprias portas.
Projeto demorou cerca de sete anos

Guido Pacheco, presidente da comissão responsável pelo projeto das Portas da Cidade, mostrou-se emocionado com a conclusão de uma iniciativa iniciada há cerca de sete anos.
“Muito emocionado, já se sabe, depois de sete anos, mas chegou o dia pelos portugueses”, afirmou. “É um monumento que representa todos os portugueses, não só cá, mas em várias partes do mundo.”
Pacheco destacou a localização em frente à Igreja de Nossa Senhora de Fátima e espera que o espaço seja utilizado regularmente para iniciativas comunitárias e se torne também um ponto de atração para visitantes.
“A gente vai ter várias coisas durante o ano, vamos ter festividades aqui, muita coisa diferente durante o ano, para atrair pessoal para cá”, explicou, acrescentando que já houve pessoas interessadas em realizar casamentos junto ao monumento.
O responsável reconheceu as dificuldades enfrentadas durante o desenvolvimento do projeto e destacou o apoio dos municípios de Ponta Delgada e Ribeira Grande, do Governo Regional dos Açores, de empresas e de patrocinadores no Canadá, incluindo a LiUNA Local 183.
Monumento procura aproximar novas gerações

O vereador regional de Brampton Martin Medeiros afirmou que pretende que o monumento seja também uma forma de despertar a curiosidade dos jovens sobre a história da comunidade portuguesa.
“Eu quero que este espaço seja um espaço que provoque perguntas, principalmente pelos jovens, que eles tentem saber o que são estas portas”, afirmou.
Medeiros, que nasceu e cresceu em Brampton e representa a área onde está instalado o monumento, disse já ter sido questionado por membros de outras comunidades sobre o significado da estrutura.
“É exatamente isso que eu quero, não só sinalizar o que é Portugal, mas também dar memória à comunidade açoriana e à comunidade portuguesa aqui em Brampton”, explicou.
O vereador destacou ainda a designação Portugal Way, atribuída à via junto ao Azores Park, considerando que o local concentra vários elementos associados à presença portuguesa na cidade.
Também o vereador regional Paul Vicente afirmou que as Portas da Cidade deverão servir como memória permanente do percurso dos portugueses que emigraram para o Canadá.
“Os portugueses vieram de Portugal para o Canadá e criaram aqui novas vidas, uma presença portuguesa”, declarou.
Contributo português para Brampton e Ontário

O ministro dos Transportes do Ontário, Prabmeet Sarkaria, classificou a inauguração como uma oportunidade para reconhecer o contributo da comunidade portuguesa para Brampton, para a província e para o Canadá.
Em representação do premier do Ontário, Doug Ford, Sarkaria agradeceu à cidade e aos responsáveis comunitários envolvidos na concretização do projeto.
Segundo o ministro, a cerimónia não assinalou apenas a inauguração das Portas da Cidade, mas também “o compromisso da comunidade portuguesa com esta cidade, esta província e este país”.
O presidente da Câmara de Brampton, Patrick Brown, destacou a persistência de Guido Pacheco e o apoio da LiUNA Local 183, através do seu business manager, Jack Oliveira.

Brown afirmou que Pacheco mobilizou diferentes departamentos municipais para concretizar o projeto, classificando-o como “uma força da natureza”. O autarca entregou ainda lembranças relacionadas com o Azores Park e a Portugal Way a alguns dos representantes presentes.
Jack Oliveira atribuiu aos membros e reformados da LiUNA Local 183 e às respetivas famílias o mérito pela capacidade do sindicato de apoiar projetos comunitários como este.
“As pessoas juntaram-se. A comunidade juntou-se. E o resultado final é esta marca que nunca irá desaparecer”, afirmou.
Para Oliveira, a réplica permite que um dos símbolos mais reconhecidos dos Açores passe a ter uma presença permanente nos dois lados do Atlântico.
“Um exemplo para as gerações mais novas”

O embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Fernandes Homem de Lucena, destacou a capacidade de mobilização de Guido Pacheco e considerou a concretização do projeto um exemplo para as gerações seguintes.
“Há uma palavra que pode sintetizar tudo isto, que é a palavra exemplo. Ele é um exemplo para todos nós e é um exemplo também para as gerações mais novas”, afirmou.
“Vale a pena arregaçar as mangas”, acrescentou o diplomata, destacando igualmente o apoio de Jack Oliveira e das centenas de pessoas que contribuíram para a iniciativa.
A inauguração decorreu no âmbito do 20.º aniversário das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres de Brampton.
As celebrações prosseguiram este sábado com a Procissão da Mudança da Imagem, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima. No domingo, o programa religioso prevê uma missa às 12h00, presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, seguida, às 14h00, pela Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Sérgio Mourato
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