O PortugaloFest regressou no sábado ao calendário dos grandes festivais culturais de Mississauga, estreando uma nova localização em Port Credit, com uma participação que a organização estimava poder atingir entre seis e sete mil pessoas.**
“Temos mais pessoas a meio do evento aqui do que tivemos no passado no Celebration Square. Estou muito feliz, o resultado foi enorme e a energia é muito boa”, afirmou à Senso Magazine a presidente da comissão organizadora, Eddie Suliman.
A quarta edição do festival decorreu no Port Credit Memorial Park, entre as 13:00 e as 22:30, com entrada gratuita e um programa maioritariamente composto por artistas locais, além de novas áreas destinadas às famílias.
A mudança de localização era uma das principais incógnitas para a organização, depois de as edições anteriores terem decorrido no Celebration Square, no centro de Mississauga.
“Estávamos com medo de mudar o local do PortugaloFest. Nunca tínhamos tido experiência aqui no Port Credit Memorial Park e fiquei muito surpreendida”, explicou Suliman.
Segundo a responsável, a presença de público a meio do festival já superava as expectativas, numa edição em que a organização procurou igualmente chegar a pessoas de outras origens culturais.
“Temos aqui muitas pessoas portuguesas, mas penso que é 50-50 com pessoas de outras culturas”, afirmou.
“Era o que queríamos, que as outras culturas viessem cá saborear a comida portuguesa e a nossa música portuguesa”, acrescentou.

O PortugaloFest realizou a primeira edição em 2022 e tem registado um aumento da participação, segundo os números avançados pela presidente da comissão organizadora.
“O primeiro ano tivemos mais ou menos duas mil pessoas. No ano a seguir, em 2023, foram mais ou menos três mil. Em 2024 foi o nosso maior ano, tivemos talvez cerca de cinco mil”, indicou.
Ainda a meio da edição deste ano, Suliman estimava que a participação pudesse superar o máximo registado anteriormente.
“Penso que, quando o sol baixar aqui hoje, vamos estar mais perto dos seis ou sete mil”, afirmou.
A aproximação das novas gerações à cultura portuguesa foi outra das apostas da organização, através da gratuitidade do festival, das atividades dirigidas às famílias e da inclusão no programa de artistas de diferentes faixas etárias.
“Fazemos o nosso melhor para trazer talento que não seja só mais maduro, mas também de idades mais jovens, para atrair os jovens”, explicou.
O programa artístico incluiu atuações dos ranchos folclóricos da Nazaré e do Centro Cultural Português de Mississauga, do violinista Grenville Pinto, da cantora Sara Dantas, do Fado House Entertainment e da Karma Band.
Do programa fez igualmente parte o espetáculo Doce Tribute, vindo de Portugal e inspirado no repertório das Doce, grupo feminino português que alcançou grande popularidade durante a década de 1980.
A presença portuguesa estendeu-se à gastronomia e às bebidas, com a Casa do Benfica e a cerveja Sagres, além de vinhos disponibilizados pela DOC Wines Import, Majestic Wine Cellars e Corveste Wines.

Entre as organizações presentes no recinto esteve a Magellan Community Charities, que aproveitou o festival para divulgar oportunidades de emprego relacionadas com o projeto de cuidados continuados e residenciais destinado à comunidade de língua portuguesa na região de Toronto.
“Estas oportunidades de divulgação da nossa cultura portuguesa, como está aqui no PortugaloFest, são muito importantes”, afirmou Manuel da Costa, presidente do conselho de administração da Magellan Community Charities.
Segundo o responsável, a instituição prevê necessitar de cerca de 415 trabalhadores para o futuro complexo, procurando particularmente pessoas que falem português e estejam disponíveis para trabalhar com idosos.
“Precisamos de pessoas que falem português e que queiram trabalhar com idosos. Trabalhar com idosos não é para toda a gente, mas há sempre muita gente com bons corações que não se importa de fazer este tipo de trabalho”, salientou.
Manuel da Costa aproveitou ainda a presença no festival para elogiar a iniciativa e o papel desempenhado por eventos deste género na preservação da identidade portuguesa no Canadá.
“Está aqui uma bonita festa, está muita gente a celebrar a nossa cultura, e a celebração da nossa cultura nunca é demais”, afirmou.
Sobre o desenvolvimento do projeto da Magellan, o responsável adiantou que os trabalhos continuam dentro do calendário previsto e que a abertura para receber residentes permanece apontada para novembro de 2027.
“Há sempre contratempos, mas acho que não vai mudar. Estamos muito satisfeitos com o progresso do projeto”, referiu.

Também presente no PortugaloFest, o deputado provincial Rudy Cuzzetto, eleito por Mississauga-Lakeshore e secretário parlamentar do ministro da Energia e Minas do Ontário, destacou o contributo dos portugueses para a diversidade da região.
“A comunidade portuguesa contribuiu muito para o mosaico da nossa comunidade”, afirmou Cuzzetto.
O deputado deixou ainda uma mensagem de reconhecimento aos luso-canadianos, incentivando-os a continuar “a celebrar a sua comunidade e a sua cultura juntos”.
Com a edição deste ano ainda a decorrer, a organização já começava a olhar para 2027, perante os pedidos recebidos para que o PortugaloFest permaneça no Port Credit Memorial Park.
“Já várias pessoas me pediram que o PortugaloFest voltasse para o ano e que voltasse aqui ao Port Credit Memorial Park”, revelou Eddie Suliman.
A responsável explicou que a preparação da próxima edição deverá começar praticamente após o encerramento do festival, nomeadamente devido aos prazos para candidaturas a apoios públicos.
“Assim que acabar este evento temos de começar a fazer os planos para 2027. Os apoios do Governo já estão a abrir para fazermos as candidaturas”, explicou.

Suliman destacou ainda o trabalho desenvolvido durante vários meses pela equipa responsável pelo festival, sublinhando que a organização depende do envolvimento dos voluntários e dos apoios necessários à realização do evento.
“É uma tropa que ajuda a pôr este evento de janeiro até setembro”, afirmou.
Para a presidente da comissão organizadora, a participação registada ao longo do sábado já permitia fazer um balanço positivo da estreia do PortugaloFest em Port Credit.
“Estou no céu, porque isto está mesmo incrível, a participação que está aqui. A minha equipa está muito feliz com as pessoas que vieram apoiar”, concluiu.
Sérgio Mourato
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