O violinista Grenville Pinto construiu uma carreira marcada pela versatilidade, passando da formação clássica aos palcos onde interpreta pop, rock, R&B e música de diferentes culturas.
Nascido em Hamilton e atualmente residente em Toronto, o músico mantém também uma ligação às suas raízes portuguesas, que considera parte importante da sua identidade artística.
“Tocar para a comunidade portuguesa é muito importante para mim porque é uma oportunidade de mostrar as minhas raízes portuguesas”, afirmou Pinto, em entrevista à Senso Magazine.
“Permite que as pessoas percebam que há mais em mim do que apenas o lado de Hamilton ou o lado indiano. Existe realmente uma componente portuguesa autêntica.”
Grenville começou a tocar violino aos sete anos e recebeu formação clássica através do Royal Conservatory of Music, tendo integrado a Hamilton Philharmonic Orchestra. Paralelamente à música, concluiu uma licenciatura com distinção em Comércio na McMaster University.
A música esteve presente desde cedo na família. A mãe tocava e ensinava piano, o pai cantava e as duas irmãs tornaram-se pianistas profissionais, acompanhando-o também em atuações.
Ao longo dos anos, Pinto passou da música clássica para um repertório muito mais abrangente e para espetáculos com a sua própria banda.
A ligação à cultura portuguesa surge também através da herança de Goa, onde séculos de presença portuguesa deixaram marcas culturais e musicais.
Pinto considera que existem semelhanças melódicas que tornam natural a sua interpretação de determinadas músicas portuguesas.
“A melodia é muito semelhante à música goesa. Não à música indiana em geral, mas à goesa, porque tem uma maior influência portuguesa”, explicou.
“Consigo aprender as melodias rapidamente e elas vêm diretamente do coração.”

Para o violinista, os festivais e eventos das comunidades portuguesas no Canadá desempenham ainda um papel essencial na transmissão da cultura às novas gerações.
Grenville Pinto destacou particularmente a participação das crianças em atividades culturais como forma de preservar tradições num país multicultural.
“Vemos as crianças, como praticam e como se envolvem. É isso que mantém a cultura viva”, disse.
O músico considera preocupante quando as novas gerações deixam de ter contacto com as tradições familiares e passam a consumir apenas a cultura musical dominante.
Essa preocupação não significa, contudo, rejeitar novos estilos. Pelo contrário, Pinto defende a diversidade musical.
“Adoro tocar uma música portuguesa e depois tocar algo que toda a gente também ouve. Adoro variedade, mas gosto de manter as minhas raízes.”
A rápida expansão da inteligência artificial na indústria musical é outro tema que Grenville Pinto acompanha com atenção.
Embora reconheça a qualidade que a tecnologia já consegue alcançar, acredita que existe uma dimensão da atuação humana que não pode ser reproduzida por um sistema de IA.
“A música feita por inteligência artificial pode soar incrível, pode ser ótima para ouvir, mas só chega até aí. Não tem alma”, afirmou.
“A ligação com o artista vai tornar-se cada vez mais importante à medida que a inteligência artificial se desenvolve.”
Para “G” Pinto, a diferença torna-se particularmente evidente nos espetáculos ao vivo, onde a espontaneidade e a interação entre músico e público são componentes fundamentais da experiência.
“A inteligência artificial não vai conseguir subir a um palco, fazer algo espontâneo e criar uma ligação pessoal”, defendeu.
Apesar disso, o violinista não encara a tecnologia como uma ameaça e considera que os músicos devem utilizá-la como ferramenta criativa.
Grenville Pinto compara o atual debate sobre inteligência artificial às preocupações que surgiram anteriormente com sintetizadores, sampling e máquinas de ritmos.
“A IA deve definitivamente ser utilizada. Não tenho medo dela. Acho que é uma excelente ferramenta”, afirmou, defendendo que a tecnologia pode ajudar no processo de criação sem necessariamente substituir quem compõe, canta ou toca um instrumento.
Na sua perspetiva, mesmo quando a tecnologia é utilizada para complementar uma atuação, o público continua a reconhecer a diferença entre elementos produzidos eletronicamente e músicos que estão efetivamente a tocar em palco.
O próximo capítulo da carreira de Grenville Pinto inclui um novo álbum, intitulado “Classified”, cujo lançamento está previsto para este outono.
“Tenho um novo álbum a caminho e estou a trabalhar nele. Chama-se ‘Classified’ e será lançado no outono”, revelou.
Além do novo trabalho discográfico, Pinto prepara novos concertos com a sua banda e pretende continuar a levar o violino a diferentes públicos e estilos musicais.
“Vou continuar a fazer aquilo que faço. Serão anunciados concertos em que vou tocar ao vivo com a minha banda e continuarei a tocar onde e quando quiserem que esteja presente”, concluiu.
Sérgio Mourato
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