A cultura brasileira juntou este sábado cerca de dois mil visitantes em Barrie, no Ontário, na quinta edição da Expo Brasil, um festival que combina música, gastronomia, empreendedorismo e promoção da comunidade brasileira na região.
“A Expo Brasil começou há cinco anos como uma feira pequena de expositores e hoje cresceu para um festival que une a comunidade inteira de Barrie e os brasileiros aqui da região”, afirmou à Senso Magazine uma das organizadoras, Anne Mourão.
Realizada no Lampman Lane Community Centre, a iniciativa decorreu entre as 11:00 e as 20:00 e, segundo a organização, tem recebido anualmente entre 2.000 e 2.500 visitantes.
Embora a comunidade brasileira continue a representar uma parte significativa do público, Anne Mourão destacou o interesse crescente de residentes canadianos pelo evento.
“Nos últimos anos estamos percebendo que a comunidade canadense também está descobrindo o evento e vindo prestigiar”, explicou.
Para a organizadora, a Expo Brasil assume também um papel na preservação da identidade cultural de uma comunidade que se encontra longe do país de origem.
“É importante para a gente manter a nossa cultura viva aqui em Barrie, aqui no Canadá”, afirmou, destacando o apoio da Cidade de Barrie e a presença do presidente da Câmara e do vice-presidente da Câmara no evento.
“É manter a nossa cultura viva, trazer as nossas comidas, a nossa música para a nossa comunidade”, acrescentou.
A programação deste ano voltou a procurar introduzir novas atrações, mantendo simultaneamente elementos que já fazem parte do festival.
“A gente sempre tenta mudar as bandas, as atrações”, disse Mourão, indicando que uma das novidades desta edição foi a participação do grupo T-Dot Batu, pela primeira vez na Expo Brasil.

Outra das organizadoras, Daniella Raucci, explicou que integrou o projeto há quatro anos, quando o evento começou a desenvolver a componente exterior, nomeadamente com a participação de vendedores de comida.
Atualmente, a organização funciona através da distribuição de diferentes responsabilidades, desde os patrocinadores e expositores até à comunicação e marketing.
“É como uma empresa. Tem a parte de ‘sponsors’, de ‘vendors’, de marketing. Nós dividimos isso muito bem”, explicou.
Segundo Daniella Raucci, estiveram presentes nesta edição mais de 20 expositores, distribuídos pelas áreas interior e exterior do recinto.
A música foi um dos principais elementos culturais da edição deste ano, com uma programação centrada particularmente no forró, música pop e samba-reggae.
A gastronomia ocupou igualmente um lugar de destaque, permitindo aos visitantes experimentar produtos associados à cultura alimentar brasileira.
“O tradicional é o açaí, que o brasileiro ama muito”, afirmou Raucci, enumerando ainda hambúrgueres ao estilo brasileiro, pastel, coxinhas, salgadinhos e bolos vendidos à fatia.
A presença dos pequenos negócios brasileiros é, segundo a organização, outra componente importante da iniciativa, com empresas de produtos e serviços, joalharia, impressão 3D e apoio ao empreendedorismo entre os participantes.
Mais do que proporcionar um dia de entretenimento, Daniella Raucci considera que o festival pretende criar um ponto de encontro para uma comunidade que tem vindo a crescer na região de Barrie.
“Quando você faz um tipo de evento desse, você une os brasileiros”, afirmou.
A responsável recordou ainda uma mensagem transmitida durante a visita dos representantes municipais: “Quando se fala de Brasil, se fala de alegria”.
“Estamos sempre com um sorriso no rosto, é um povo alegre. Eu acho que este festival transmite isso, a alegria do povo brasileiro”, acrescentou.
A organização pretende continuar a expandir a Expo Brasil e atrair novos participantes e empreendedores, incluindo pessoas que utilizam o festival como primeira experiência para apresentar os seus negócios ao público.
“Tem gente que vem empreender pela primeira vez, fazer uma feira pela primeira vez. Eu acho que isso é a força dessa comunidade. A gente dá oportunidade para todo mundo”, sustentou Raucci.
A responsável considera que a presença brasileira aumentou no norte da região metropolitana de Toronto, particularmente desde a pandemia de covid-19, embora reconheça que não existem ainda dados que permitam quantificar a dimensão dessa comunidade em Barrie.
A organização pretende, por isso, realizar um levantamento que permita conhecer melhor o número e o perfil dos brasileiros residentes na região.

A Expo Brasil serviu também para promover as comemorações dos 40 anos da formação organizada da comunidade brasileira no Canadá, previstas para 05 de junho de 2027, no Paramount EventSpace, na região de Toronto.
Rod Silva, gerente-geral do projeto das comemorações, disse à Senso que a iniciativa pretende homenagear não apenas aqueles que participaram na organização da comunidade a partir de 1987, mas também brasileiros que chegaram ao Canadá décadas antes.
“É um evento que vai não só homenagear, mas honrar aqueles que vieram antes de todos nós, principalmente os que vieram antes da própria comunidade”, afirmou.
O projeto deverá incluir igualmente o lançamento de um livro e de um documentário sobre a história da presença brasileira no Canadá, recuperando testemunhos e percursos de pessoas que chegaram ao país nas décadas de 1960, 1970 e início de 1980.
Segundo Rod Silva, o objetivo é criar um registo histórico que possa permanecer como referência para as gerações futuras.
“É preciso que isso fique documentado”, afirmou, explicando que exemplares do livro deverão ser entregues às representações diplomáticas brasileiras no Canadá, ao Ministério das Relações Exteriores e à Biblioteca Nacional do Brasil.
O responsável destacou particularmente o contributo de Angela Mesquita, que classificou como uma das pioneiras da organização da comunidade brasileira no Canadá e cuja atividade, segundo afirmou, ajudou a criar condições para o aparecimento de iniciativas como a própria Expo Brasil.
“Isso aqui é o futuro que já se previa desde 1987”, afirmou Rod Silva, referindo-se ao crescimento e diversificação das iniciativas promovidas atualmente pela comunidade.
O projeto histórico pretende ainda recuperar o contributo de outros nomes ligados à promoção da cultura brasileira no Canadá, incluindo Arilda de Oliveira, associada ao Brasil Fest, Tânia Nuttall, ligada ao Brazilian Day, e Abelardo Oliveira, responsável pelo Miss Brasil Canadá.
“Essas pessoas precisam ter reconhecimento”, defendeu.
Para Rod Silva, documentar estas quatro décadas é também uma forma de impedir que a história dos pioneiros desapareça com o passar das gerações.
“Esse livro é um resgate para que daqui a 20, 30 anos esses nomes não sejam apagados, não sejam esquecidos”, concluiu.
Sérgio Mourato
»Os conteúdos publicados no website da Senso Magazine são traduzidos automaticamente, recorrendo aos serviços de tradução da Google.




Publique você mesmo!