A Caixa Geral de Depósitos (CGD) assinalou, a 10 de setembro, em Toronto, os 150 anos da instituição e os 15 anos do seu Escritório de Representação no Canadá, numa receção realizada no Consulado-Geral de Portugal, que reuniu representantes diplomáticos, dirigentes da Caixa, membros da comunidade portuguesa e parceiros institucionais.
Em declarações à Senso Magazine, Maria de Lourdes Sousa, diretora dos Escritórios de Representação da Caixa Geral de Depósitos, afirmou que a principal mensagem da celebração é de confiança e continuidade.
“A Caixa tem estado ao lado dos portugueses, das famílias e da economia, sempre nos momentos bons e nos momentos maus. Os portugueses sabem disso. É uma instituição sólida, de confiança.”
Fundada em 1876, a Caixa Geral de Depósitos atravessou século e meio de profundas transformações económicas e sociais em Portugal.
No Canadá, o Escritório de Representação abriu em junho de 2011, com o objetivo de aproximar o banco da comunidade portuguesa e lusodescendente e facilitar a relação dos clientes residentes na América do Norte com Portugal.

A cerimónia contou com intervenções do embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo de Lucena, da cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, da responsável pelo Escritório de Representação da CGD no Canadá, Marisol Ribeiro, e de Maria de Lourdes Sousa.
Na abertura do encontro, Ana Luísa Riquito destacou o papel que a Caixa desempenha junto da comunidade portuguesa, considerando que o trabalho desenvolvido no Canadá ultrapassa, em muitos casos, uma simples relação comercial.
A cônsul-geral salientou a colaboração da CGD nas deslocações consulares realizadas no Ontário e em Manitoba, sobretudo no apoio a membros mais idosos da comunidade que enfrentam dificuldades no acesso a contas bancárias e aos meios digitais.
“É um trabalho discreto, mas de enorme importância social. Mostra que servir uma comunidade não se esgota numa relação comercial”, afirmou.
Ana Luísa Riquito destacou igualmente o apoio da Caixa à promoção da língua portuguesa no Canadá, incluindo bolsas e prémios destinados a estudantes, entre os quais o prémio atribuído ao melhor estudante de Língua Portuguesa na Universidade de Toronto.
O embaixador Bernardo de Lucena sublinhou, por sua vez, a importância histórica e económica da CGD e o papel complementar que a instituição desempenha relativamente à rede diplomática e consular portuguesa no Canadá.
O diplomata destacou ainda o esforço de proximidade junto de uma comunidade portuguesa envelhecida em algumas regiões e o apoio continuado da Caixa à língua, cultura e educação portuguesas.
“Os maiores sucessos para os próximos 150 anos”, afirmou o embaixador no final da intervenção.
Escritório do Canadá completa 15 anos

Marisol Ribeiro, responsável pelo Escritório de Representação da CGD no Canadá, recordou que a presença da instituição no país começou com uma missão simples: estar próxima da comunidade e ajudar a manter a ligação com Portugal.
Ribeiro assumiu a direção do escritório em maio de 2016 e completou este ano uma década no cargo. Em declarações à Senso Magazine, classificou o balanço desse período como “super positivo”.
“O projeto era inicialmente de três anos. Trouxe a família, cão, gato, para este lado do Atlântico e aquilo que era um desafio por três anos passou por mais três e foi-se prolongando”, explicou.
A responsável afirmou que a permanência no Canadá também se deve à ligação criada com a comunidade portuguesa.
“Sinto-me em casa junto desta comunidade. Se não me sentisse em casa, se calhar ao fim de três ou seis anos teria rumado para outros desafios.”
Para Ribeiro, a mensagem central dos 15 anos passa pelo reconhecimento dos clientes.
“A principal mensagem é obrigado. Obrigado a cada um dos clientes, aos que já foram, aos atuais e aos futuros, por confiarem em nós e por nos deixarem fazer parte desta jornada na área bancária.”
A responsável revelou ainda que cerca de 30% das pessoas atualmente atendidas pelo escritório não têm ligação familiar prévia a Portugal, sendo clientes canadianos ou norte-americanos que descobriram o país como destino para investimento, estudo, férias, segunda residência ou reforma.
“Não estamos aqui só pela comunidade portuguesa. Permanecemos aqui pela comunidade portuguesa, mas também por todos os outros clientes que não têm relação com Portugal e que o procuram para investir, estudar, passar férias ou reformar-se”, afirmou.
Digitalização sem abandonar o contacto com o cliente

Maria de Lourdes Sousa destacou também as mudanças provocadas pela digitalização no setor bancário, defendendo que os novos canais permitem aos clientes maior autonomia sem eliminar a importância do acompanhamento pessoal.
“Os clientes agora, com os meios digitais, têm a Caixa sempre disponível, 24 horas”, afirmou à Senso Magazine.
Segundo a responsável, o desafio passa por combinar tecnologia e proximidade.
“Temos avançado na digitalização, mas não deixamos de ter o nosso foco no cliente e no apoio ao cliente.”
Sousa salientou que a operação de Toronto é um escritório de representação e não uma agência bancária, uma distinção que considera importante no contexto dos serviços prestados no Canadá.
A diretora identificou também diferenças entre os clientes residentes na Europa e os da América do Norte, destacando uma maior predisposição para o empreendedorismo entre muitos portugueses e lusodescendentes estabelecidos no Canadá.
“Parece-me que as pessoas aqui na América do Norte e no Canadá são mais arrojadas, arriscam mais, montam a sua própria empresa. Temos muitos clientes que são empresários”, afirmou.
Caixa aponta para crescimento internacional

Durante a cerimónia, Maria de Lourdes Sousa apresentou ainda alguns indicadores sobre a evolução recente da instituição, afirmando que a CGD registou 1.925 milhões de euros de lucro em 2025 e entregou 1.250 milhões de euros em dividendos ao Estado português.
Segundo a responsável, o banco registou ainda 913 milhões de euros de lucro no primeiro semestre de 2026, mantendo uma trajetória de resultados positivos após o processo de reestruturação iniciado na década passada.
Sousa afirmou igualmente que a Caixa está presente em 19 países, em quatro continentes, através de bancos, sucursais e uma rede de escritórios de representação, entre os quais o de Toronto.
A responsável disse que a estratégia para os próximos anos passa por reforçar a posição da instituição junto da diáspora, atrair novos clientes e manter a ligação entre Portugal e as comunidades portuguesas no estrangeiro.
“O nosso futuro é continuarmos a ser a melhor marca, em termos de sermos o melhor banco português junto da comunidade portuguesa, na diáspora e no estrangeiro”, afirmou à Senso Magazine.

Marisol Ribeiro acrescentou que o futuro da presença no Canadá continuará a passar pela proximidade com as comunidades em diferentes regiões do país e pela captação de novas gerações de clientes.
“Temos de olhar para a frente, para o futuro e para a continuidade do crescimento, com mais jovens, mais famílias a serem clientes e mais famílias a manterem as relações com Portugal”, afirmou.
A celebração terminou com um momento de convívio, bolo de aniversário e um brinde aos 150 anos da Caixa Geral de Depósitos e aos 15 anos de presença institucional no Canadá.
Sérgio Mourato
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