A Academia do Sporting em Toronto celebrou no sábado 15 anos de atividade no Canadá, numa gala em Mississauga que assinalou o percurso de uma estrutura com cerca de 250 atletas e apresentou uma estratégia de crescimento para os próximos sete anos.
“Temos um plano para os próximos sete anos, para sermos uma das maiores academias em Toronto”, afirmou à Senso Magazine Paulo Pereira, presidente da Sporting FC Academy Toronto desde 01 de maio.
A gala do 15.º aniversário realizou-se no Renaissance by the Creek, em Mississauga, juntando dirigentes, treinadores, atletas, famílias e representantes institucionais, além de uma delegação do Sporting Clube de Portugal.
Sportinguista “de raiz” e ligado à organização nos últimos três anos, primeiro através do basquetebol e posteriormente do futebol, Pereira assumiu a presidência durante uma mudança na direção da Academia.
O dirigente explicou que decidiu aceitar o desafio depois de ter acompanhado uma redução do número de jogadores nos últimos tempos.
“Vi muitos anos a Academia a crescer. Só no último ano e meio é que a Academia começou a ter menos jogadores. Eu estava de fora e perguntava: porquê?”, recordou.
Atualmente, a estrutura conta com cerca de 250 atletas, distribuídos pelos programas recreativos e competitivos, e este ano passou a receber crianças a partir dos dois anos, quando anteriormente a formação começava aos quatro.
A Academia dispõe de diferentes escalões até aos sub-16 e prepara-se para alargar a estrutura aos sub-17, sub-18 e sub-21 durante o inverno.
“Antes vinham e depois tinham de procurar outras equipas. Agora estamos a fazer um plano para que comecem connosco e possam estar connosco até aos 21 anos”, explicou Pereira.
A maioria dos atletas são rapazes, mas a organização dispõe também de uma equipa feminina sub-14, que conquistou o campeonato na época passada e volta a disputar o título no próximo sábado, 26 de setembro.

Perda do Brockton Stadium obrigou Academia a procurar alternativas
Um dos principais desafios enfrentados pela Academia surgiu em setembro de 2025, quando deixou de poder utilizar o Brockton Stadium, espaço que tinha servido de base à organização desde a sua criação.
“Foi uma grande porta que se fechou para nós, porque já há 15 anos que tomávamos conta disto”, afirmou Paulo Pereira.
Segundo o presidente, a Academia foi informada de que o estádio não reunia condições de segurança para receber adeptos, obrigando a organização a encontrar outros locais para jogos e treinos.
“Agora temos quatro estádios para treinar e andamos com a mochila às costas, de estádio para estádio”, lamentou.
A estrutura passou a utilizar diferentes instalações em Toronto, incluindo espaços em Perth, York Memorial, York Stadium, Birchmount e Rockcliffe.
Para Pereira, uma das prioridades passa agora por voltar a dispor de instalações que possam funcionar como uma verdadeira casa para a Academia.
“Gostávamos de voltar a ter, como tínhamos no Brockton, um ou dois estádios que pudéssemos considerar a nossa casa”, salientou.
A incerteza sobre o antigo espaço mantém-se, acrescentou, indicando que a organização foi informada de que estão a ser analisadas diferentes possibilidades para o futuro do estádio.
Level 2 abre nova etapa

Apesar das dificuldades relacionadas com as instalações, a Academia alcançou recentemente o Level 2 no sistema de reconhecimento do futebol canadiano, um passo que a nova direção considera fundamental para o crescimento da organização.
“Já somos mais reconhecidos na comunidade do futebol. Há muitos jogadores à procura de organizações e academias que tenham determinados níveis, porque isso dá a oportunidade de crescer”, explicou Pereira.
A direção pretende agora avançar para um nível superior de certificação, um objetivo que exige, entre outros requisitos, melhores infraestruturas.
“Precisamos de ter dois campos, um artificial e um de relva”, disse o dirigente, referindo igualmente a necessidade de espaços destinados à preparação física e a outras componentes do desenvolvimento dos atletas.
A Academia conta atualmente com cerca de 14 elementos na equipa técnica, todos remunerados, além de diretores técnicos responsáveis por diferentes equipas.
César Espínola, diretor de operações e patrocínios, acompanha a Academia desde a primeira semana, inicialmente como pai de um jogador, e passou a integrar a nova estrutura dirigente em maio.
“A mudança do estádio custou-nos um bocado”, reconheceu, em declarações à Senso Magazine.
A dispersão das equipas trouxe, contudo, a possibilidade de chegar a outras zonas e captar atletas que anteriormente poderiam não ter procurado a Academia devido à localização no Brockton Stadium.
“Uma porta fechou, duas portas abriram”, resumiu.
Espínola considera que a obtenção do Level 2 representa um novo patamar para a organização.
“Já nos dá oportunidade para seguirmos em frente e toda a gente envolvida está focada nesse objetivo”, afirmou.
O próximo passo, confirmou, é alcançar a National Youth Club Licence, uma das metas traçadas para o desenvolvimento da estrutura.
Sporting destaca importância da Academia no Canadá

As comemorações contaram com uma delegação do Sporting Clube de Portugal, que se deslocou ao Canadá não apenas para participar na gala, mas também para acompanhar tecnicamente o trabalho desenvolvido em Toronto.
“Fizemos toda a questão de estar presentes pela importância do aniversário e também pela importância que a Academia de Toronto tem para os projetos internacionais do clube”, afirmou à Senso Magazine Filipe Costa, gestor de projetos internacionais do Sporting Clube de Portugal.
A visita incluiu a observação de treinos e reuniões com treinadores e responsáveis técnicos.
“Podemos ajudar, partilhar algumas ideias e algumas estratégias para que possamos estar o mais alinhados possível com aquilo que são as diretrizes e a metodologia de treino do Sporting que fazemos nas nossas academias em Lisboa e no mundo todo”, explicou.
Filipe Costa fez um “balanço muito positivo” dos 15 anos da estrutura canadiana, destacando três dimensões: a representação dos valores do clube, a ligação à comunidade portuguesa e o desenvolvimento desportivo.
“É uma Academia com um impacto muito grande na comunidade portuguesa nesta região e isso também é algo muito importante para nós enquanto clube”, salientou.
No plano desportivo, o responsável destacou o potencial demonstrado por atletas formados no Canadá.
“É uma Academia que, historicamente, tem tido jogadores bastante interessantes e isso também é algo que nos agrada e nos deixa orgulhosos”, acrescentou.
Para o responsável do Sporting, a prioridade imediata passa também pela estabilização das instalações utilizadas pela Academia.
“Depois de muitos anos no Brockton Stadium estamos agora com algumas mudanças. Para já, o objetivo é podermos estabilizar, de alguma forma, as instalações desportivas, para depois continuarmos a crescer, ter cada vez mais atletas, mais meninos e mais meninas”, explicou.
Futebol feminino também nos planos

O desenvolvimento do futebol feminino é outra das áreas em que o Sporting vê potencial de crescimento no Canadá.
“O futebol feminino tem crescido muito, não só em Portugal como no nosso clube nos últimos anos, com a criação de várias equipas de várias idades”, afirmou Filipe Costa.
O responsável destacou a tradição do futebol feminino na América do Norte e admitiu que a Academia de Toronto possa, no futuro, ajudar a identificar talento para o clube português.
“Sabemos que o continente norte-americano, historicamente, tem excelentes atletas e queremos também continuar a contribuir para isso e, quem sabe, um dia recrutar alguma jogadora, algum talento que possa surgir aqui”, acrescentou.
Sobre o futuro da ligação entre Lisboa e Toronto, Filipe Costa deixou uma mensagem de continuidade.
“Venham mais 15 anos”, afirmou, destacando a “paixão” demonstrada pelas pessoas ligadas à Academia no Canadá.
Cônsul-geral destaca papel junto dos jovens

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, destacou o papel desempenhado pela Academia na ligação entre desporto, juventude e comunidade.
“São 15 anos de muita alegria, onde há desporto, há jovens e há futebol, há jovens a sonharem o seu sonho desportivo”, afirmou à Senso Magazine.
A diplomata, que já tinha visitado a Academia, disse ter ficado marcada pela energia dos jovens atletas.
“Senti-me contagiada pela energia daqueles jovens que andavam ali com uma bola nos pés, felizes e enérgicos”, recordou, desejando “longa vida” à organização.
Riquito classificou a Academia como “um polo agregador de jovens” e destacou ainda o impacto do Mundial de 2026 na visibilidade do futebol no Canadá.
“2026 foi um ano que aproximou o Canadá do futebol, porque tivemos aqui alguns jogos da fase final do Mundial e isso veio chamar mais a atenção para o futebol”, afirmou.
Segundo a cônsul-geral, o interesse pela modalidade assume particular importância entre os luso-canadianos, onde jogadores da seleção portuguesa continuam a servir de referência às novas gerações.
Gala distingue Michael Fonseca e Sebastião Pedrosa

A gala ficou também marcada pela distinção de dois atletas da Academia.
Michael Fonseca recebeu a bolsa de estudo atribuída anualmente pela organização, enquanto Sebastião Pedrosa foi distinguido com o Chris Award, prémio que presta homenagem a Christopher McBurbin Parkett, antigo jogador da Academia que morreu subitamente em 04 de junho de 2012 durante um jogo no Brockton Stadium.
O Chris Award procura distinguir um atleta que represente valores associados ao jovem jogador, entre os quais dedicação ao futebol e aos estudos, liderança, envolvimento comunitário, espírito de equipa e respeito pelos outros.
A organização recordou durante a cerimónia que Christopher era um bom estudante, dedicado à família, aos companheiros e à comunidade, procurando manter esses valores associados ao prémio entregue anualmente.

Em representação da deputada provincial por Davenport, Marit Stiles, Ashley Da Silva entregou ainda um certificado comemorativo à Academia.
Na mensagem transmitida durante a gala, foi destacado que, ao longo de 15 anos, a organização não se limitou à formação de atletas, tendo também contribuído para fortalecer os laços comunitários e transmitir aos jovens valores como disciplina e dedicação.
As celebrações incluíram ainda uma mensagem do presidente do Sporting Clube de Portugal, Frederico Varandas, e animação dos Tuga Nights.
Para Paulo Pereira, o 15.º aniversário representa agora o ponto de partida para uma nova etapa, marcada pela procura de instalações mais estáveis, pelo aumento do número de atletas e pela subida nos níveis de certificação do futebol canadiano.
O presidente deixou também um apelo ao envolvimento da comunidade portuguesa, considerando esse apoio essencial para o crescimento da Academia.
“Precisamos da nossa comunidade a trabalhar atrás de nós e a dar força”, concluiu.
Sérgio Mourato
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